Editorial – Escolas e a conversa pra boi dormir

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A enxurrada de críticas e protestos de estudantes, professores e da comunidade em geral ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) em razão de seu processo de “reorganização das escolas” não é despropositada ou exagerada, culpa do conservadorismo, como tenta atribuir o tucano. Dessa vez, o governo foi longe demais na forma pouco democrática e participativa como adota medidas, sobretudo aquelas que afetam diretamente a visa dos cidadãos e, principalmente, mexem com as crianças da sociedade.

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A comunidade rapidamente percebeu que por trás do eufemismo da “reorganização” está o fechamento de várias escolas. De uma hora para outra, sem a chance de planejamento ou escolha, milhares de vidas estruturadas pela proximidade de casa, pela praticidade de acesso, pela companhia dos coleguinhas ou a partir da compatibilidade com o trabalho dos pais, serão afetadas e reviradas. Por isso não é apenas o fechamento em si que incomoda. A forma é sintomática: de um dia para o outro é feito o anúncio do processo em andamento, sem qualquer chance de participação da comunidade na discussão. Os principais afetados – pais, alunos e professores – em momento algum foram chamados para debater ou conhecer a proposta.

Mas, no fim, com o processo em curso, até essa preocupação é acessória. Cabe agora aos pais uma reflexão importante. Diante da alegada redução da clientela escolar, que tipo de gestor, com a oportunidade de valorizar o profissional da educação e melhorar as chances de rendimento do aluno, promovendo a tão almejada redução da quantidade de estudantes por sala, opta pelo fechamento e concentração de unidades?
No fim, resta claro que o objetivo é econômico, não sobre a qualidade. O resto é conversa pra boi dormir.

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