Editorial – Ladeira abaixo

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No campo da economia o governo federal, ainda que aos trancos e barrancos, está conseguindo manter algum controle. Os prognósticos apontam retração do PIB e a meta de inflação não é animadora, claro. O desemprego também teve algum crescimento e requer atenção, mas ainda não a ponto de tornar-se o problema que era pouco antes do início da era Lula. De fato, a gestão Dilma lançou mão de ferramentas – como o Programa de Proteção ao Emprego – que podem minimizar o estrago causado pelo refluxo da crise mundial, e a acidez da crise política, que hora atingem o país.

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Aguentará a própria República à investida irresponsável de alguns?

Por outro lado, a deterioração das relações políticas e institucionais são mais evidentes que nunca. Dentro do Congresso Nacional, a oposição feita pelo presidente Eduardo Cunha, do PMDB, tumultua a conversa com a base aliada. Também, pudera: mesmo acusado de ter recebido R$ 5 milhões em propina, continua a forçar uma posição do seu partido contra o governo. Neste contesto, mais parlamentares da base aliada, agora do PDT e do PTB, mesmo sem a orientação explícita das lideranças partidárias nacionais ou estaduais, se rebelam e anunciam independência, defendendo seu descompromisso em atuar nas posições de governo.
A presidente Dilma Rousseff pode garantir que suporta pressões e não foge da luta, mas aguentará a própria República à investida irresponsável de alguns, tensionando que estão a democracia e a Constituição?
É preocupante a dificuldade aparentemente cada vez maior do governo em lançar mão da própria lei e os mecanismos democráticos que trabalhou para consolidar – uma Polícia Federal atuante e um judiciário independente – para se defender da turma do “quanto pior, melhor”. Sob os auspícios de uma mídia ligada até os dentes com todo grande escândalo histórico do país, de forma assustadora segue ladeira abaixo a força das relações institucionais do governo.

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