Editorial: Lava Jato na hora da verdade

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Editorial: Governo precisa ouvir os trabalhadores

Nesta quinta-feira, 1º, a Odebrecht, maior empreiteira do país e uma das maiores do mundo, assinou um acordo de leniência, espécie de delação premiada de empresas, com a força-tarefa da Operação Lava Jato. No acordo, além de revelar práticas ilícitas cometidas por funcionários e diretores, a empresa compromete-se a pagar uma multa, com valor em torno de R$ 6,8 bilhões.

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Pelas regras para assinatura do acordo de leniência, as empresas ficam obrigadas a colaborar com o Poder Público nas investigações, apresentando provas inéditas e suficientes para a condenação de outros envolvidos em práticas ilícitas – há contrapartidas como poder continuar assinando contratos com o Poder Público e redução da penalidade.

As delações dos executivos da Odebrecht são as de maior potencial para provocar um grande impacto no meio político. Trata-se de uma das maiores doadoras de campanhas eleitorais e é pra lá de sabido que essas “doações” geralmente eram, na verdade, investimentos. “Não existe almoço grátis”, ensinou o economista liberal Milton Friedman.

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Os executivos da Odebrecht já citaram mais de 200 políticos de diversos partidos. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também do PSDB, por exemplo, são dois dos que já tiveram os nomes citados nas investigações, assim como tantos outros que continuam tranquilos, exercendo cargos públicos e sem prestar os devidos esclarecimentos à sociedade.

Espera-se que, com as delações da Odebrecht, a Lava Jato avance para além de partidos ligados ao governo anterior, provando aos críticos que não é instrumento de “perseguição política”, como acusam.

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A Lava Jato chega à sua hora da verdade.

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