Editorial: No final do impeachment não tem arco-íris

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Editorial: Governo precisa ouvir os trabalhadores

A votação do impeachment na Câmara dos Deputados vai entrar para a história por vários motivos. Pelo resultado, pelo massacre aos prognósticos do governo nos seus piores cenários, e, sobretudo, pelo show protagonizado pelos parlamentares em discursos desconexos do processo em si, mas justificados a partir de ponderações absolutamente circunstanciais e pessoais: pela família, por Deus, pelas esposas e até pelos quilombolas. Mas não entrará para os anais da Casa por alguma mudança significativa de consciência política dos parlamentares ou da sociedade.
De ambos os lados faltou, nas justificativas, menção às razões do pedido de impedimento. Faltou conhecimento e argumentação embasada, amplificando um comportamento que se observa desde o início da atual legislatura. Algo que faz com que seja absolutamente normal um réu, com ilícito fartamente documentado – o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)-, continuar sendo presidente da Casa. Ao ponto de alguns deputados perderem a vergonha e passarem a articular abertamente uma proposta de anistia a Cunha, pelo fato de ter aprovado o impeachment.
A turma que está “contra tudo que está ai”, começa a perceber que não haverá arco-íris no final do processo. O país pode ficar sob a tutela de um Temer não eleito e volúvel como um dente de leão ao sabor dos ventos, soprado por Eduardo Cunha. E nesta hora talvez o brasileiro comece a lembrar da importância de discutir de fato uma reforma política, representatividade, regras de coligações e outras questões complexas, cujo abandono permitiu que fosse eleito um parlamento que determina os rumos do país a partir de ideias saídas de memes do Facebook.

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