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Editorial: O teatro de Cunha

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Editorial: Governo precisa ouvir os trabalhadores

Muitos comemoraram nesta quinta-feira, 7, inclusive parte daqueles que o aplaudiam quando comandou o impeachment, a renúncia do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara. Como contamos em matéria na página 4 desta edição, Cunha apelou ao sentimento antipetista latente na sociedade, se disse perseguido por ter conduzido o afastamento de Dilma Rousseff e, para não perder o costume, falou em Deus.

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A renúncia, porém, ao que tudo indica, não é motivo para fogos de artifício. Cunha faz o que mais sabe: manobra para evitar a cassação do mandato e a consequente perda dos direitos políticos por oito anos. Pior: tem o apoio do presidente interino Michel Temer, seu aliado, com quem há poucos dias se encontrou num final de semana e à noite. O encontro acabou vazando (ou foi vazado?) à imprensa, e Temer teve de admiti-lo.

 
Ao mesmo tempo em que sai um pouco dos holofotes, o ex-presidente da Câmara protocolou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) requerimento que pede a revisão do seu processo de cassação, já aprovado no Conselho de Ética da Casa. Abdicar da presidência parece ser parte do “acordão” para salvar o mandato, seja nas comissões ou no próprio plenário da Câmara. A dúvida é se a pressão da opinião pública vai permitir tal absurdo. Até quem saía às ruas contra Dilma e tinha Cunha como heroi, agora, cinicamente, o quer longe.

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No entanto, mesmo morto politicamente, Eduardo Cunha tem um trunfo nas mãos, sua possível delação premiada, que certamente ameaçaria o próprio governo interino. Ele tem essa carta na manga. Por isso, seus aliados não esmorecem na luta para salvá-lo.

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