Escolas paulistas terão novo modelo de progressão continuada em 2014

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O estudante concorre às vagas disponíveis com as notas no Enem / Foto: Wilson Dias/ABr

Modelo quer resgatar retenção como ferramenta de revisão / Foto: Wilson Dias/ABr
Modelo quer resgatar retenção como ferramenta de revisão / Foto: Wilson Dias/ABr

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Carol Nogueira

O governo do estado de São Paulo anunciou mudanças no sistema de progressão continuada na rede de ensino. A medida estabelece a ampliação de dois para três ciclos no ensino fundamental – 1° ao 3°, 4° ao 6° e 7° ao 9° – aumentando a possibilidade de retenção do aluno. Atualmente ela existe apenas no 5° e 9° anos, mas passará a ocorrer no final de cada ciclo.
A mudança deve atingir cerca de 2,5 milhões de alunos no estado e entra em vigor em 2014. Os estudantes que não estiverem aptos para o próximo ciclo deverão participar de recuperação intensiva. No ensino médio não haverá alterações e o mau desempenho pode levar à retenção nos três anos da etapa.

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O novo modelo utiliza também uma avaliação diagnóstica no final de cada bimestre, permitindo que os docentes tenham um relatório de aprendizado do aluno. Os pais podem acompanhar as notas dos alunos no portal da secretaria ao final de cada bimestre pelo endereço: www.educacao.sp.gov.br.

Para Apeoesp, o que existe hoje é promoção automática

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Na Região Oeste da Grande São Paulo existem aproximadamente 214 escolas estaduais e cerca de 135 mil alunos no ensino fundamental. Para Maria Aparecida Martins, dirigente de ensino de Carapicuíba, o sistema de progressão continuada é importante por combater a cultura da repetência, que leva a evasão do aluno e o fracasso escolar.

Ela explica que o sistema é confundido com a promoção automática, pois para o aluno frequentar a aula é o suficiente para passar de ano. “A progressão continuada só funciona se o estudante tiver o acompanhamento de um professor de apoio, nos primeiros sinais de falha na aprendizagem. No caso de retenção ao final do ciclo, no ano seguinte, os alunos ficam em uma sala especial seguindo um projeto de recuperação”, explicou.

Para o diretor da Apeoesp em Osasco (Associação dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo), José de Jesus Costa, o governo não está preocupado com a qualidade de ensino. “O que existe hoje é a promoção automática, o aluno passa de ano sem saber nada. Os profissionais precisam ser valorizados. É necessário investimento na formação dos professores e uma adequação da escola com o mundo contemporâneo”, disse.

Programa na Capital influencia outras cidades

A mudança para o estado veio logo após o anúncio, em outubro, do lançamento do programa Mais Educação, pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na mesma linha de por fim à aprovação automática.
Em Osasco, segundo informações da Secretaria de Educação, também devem ser adotadas a partir do próximo ano avaliações com possibilidade de retenção no 3º e 5º ano do ensino fundamental.

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