Especial 1º de Maio – Terceirização: mais acidentes, menos salário!

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Todas as pesquisas sobre terceirização mostram que os efeitos acabam sendo bons apenas para as empresas. Para os trabalhadores, não há vantagem.

De acordo com dados do Dieese, os terceirizados ganham, em média, 24% a menos e trabalham três horas a mais do que os empregados diretos. Outra questão é o aumento no risco de acidentes de trabalho. De cada dez acidentes de trabalho, sete são de funcionários de empresas terceirizados. Os setores elétrico e petróleo são onde têm ocorrido mais acidentes e mortos. Os dados são do estudo “Terceirização e Desenvolvimento, uma conta que não fecha”, da CUT em parceria com o Dieese, apresentado em novembro de 2014.

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O Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região também tem levantamento sobre o assunto. Dos trabalhadores terceirizados que sofreram acidentes graves nas metalúrgicas da base do sindicato, 1/3 morreram.

Pressão agora é no Senado

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A mobilização contra o PL 4330 já surtiu efeito na Câmara dos Deputados. A votação dos destaques do projeto teve placar de 230 votos a favor e 203 contra, bem mais apertado do que quando os deputados votaram o texto base: 324 a favor, 137 contra. Apenas as bancadas do PT, PCdoB e PSOL votaram em bloco contra o projeto.

No Senado o projeto pode sofrer alterações. O presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) recebeu em Brasília presidentes das centrais sindicais e se comprometeu a não acelerar a tramitação do PL. “Terceirizar a atividade-fim significa precarizar as relações de trabalho e deteriorar o produto nacional”, disse o presidente do Senado. Seu posicionamento foi elogiado pelos sindicalistas.

Todos contra a tercerização:

“As garantias, a nossa CLT, podem ir por água abaixo com a terceirização das atividades-fins das empresas. Vai ser uma quebra de direitos gradativa. Já existem milhões de trabalhadores terceirizados nas atividades-meio e a ideia, agora, é desmantelar os direitos dos trabalhadores”.
José Pereira da Silva Neto – presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região

“O argumento de que é necessário regulamentar o trabalho dos 12 milhões de terceirizados é válido, já que estes trabalhadores precisam ter acesso às mesmas garantias que os demais trabalhadores. O que não dá para concordar é que haja o inverso: se escolha reduzir direitos para que todos tenham acesso ao mínimo”.
Jorge Nazareno – presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região

“O PL 4330 representa aumentar o lucro dos empresários e precarizar os direitos dos trabalhadores. É remeter o trabalhador a um sistema de semi-escravidão. Querem aproveitar um momento de fragilidade do país e, através da espoliação do trabalhador, aumentar mais ainda seus lucros”.
José Elias de Gois – presidente do Conselho Intersindical de Saúde e Seguridade Social de Osasco e Região

“O PL 4330 é uma escravidão moderna. Retira direitos e rebaixa salários. Se for aprovado, os trabalhadores serão superexplorados”.
Antônio da Silva (Ceará) – secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo

“O trabalhador deve refletir para não ser massa de manobra de ninguém, ver o que o Congresso está fazendo e ser principalmente contra a terceirização, que é uma reforma trabalhista. Se passar do jeito que [o projeto] está, acaba com todos os direitos dos trabalhadores”.
Luiz Arraes – diretor do Sindicato dos Frentistas de Osasco e Região

“Estamos muito preocupados com o PL 4330. Vamos para a rua, mobilizar a classe trabalhadora para barrar esse golpe muito grave à CLT”.
Wellington Roberto – vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Osasco e Região

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