Gelso Lima destaca Saúde e Segurança como prioridades

"Nossa região está sem representação e o grande sentimento da população hoje é um sentimento de mudança, de renovação", diz o candidato a deputado estadual

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Gelso Lima
O ex-secretário de Saúde de Osasco, Gelso Lima / Foto: Reinaldo Vaz

Ex-secretário de Saúde de Osasco, Gelso Lima (Podemos), é um dos candidatos da região a deputado estadual. Ele define as áreas da Saúde e Segurança como os setores prioritários pelos quais trabalhará caso seja eleito para ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa. Na Saúde, destaque para a busca pela implantação de um Ambulatório Médico de Especialidades (AME), do governo do estado, no município.

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Em entrevista durante visita à redação do Visão Oeste, Gelso Lima destaca também a importância do voto em candidatos da região para fortalecer a busca por recursos e projetos que beneficiem os moradores daqui junto ao governo do estado.

Ele ressalta que os “forasteiros” que acabam ganhando votos de moradores da região “dificilmente vão andar nas ruas de Osasco, de Carapicuíba, Barueri, Itapevi, Jandira, e se debruçar sobre os problemas que estão aqui para buscar soluções junto ao governo do estado”.

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Na campanha por vaga na Assembleia Legislativa, Gelso Lima tem dobradas com 28 candidatos a deputado federal, com Renata Abreu (Podemos), que concorre à reeleição, como prioridade. “Renata Abreu é uma pessoa que tem palavra, tem compromisso com a cidade, tem ajudado a trazer recursos para a cidade. Aliás, foi a deputada que mais trouxe recursos nesse último período”, afirmou.

Sobre a disputa pelo governo do estado, o candidato acredita que Márcio França, de quem recebeu apoio durante visita a Osasco, tem potencial para crescer, ultrapassar João Doria (PSDB) e ir para o segundo turno contra Paulo Skaf (MDB). “O Doria sequer irá para o segundo turno. Se Márcio França dialogar bem com a população, vai crescer na base do Doria”.

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Na entrevista, Gelso Lima faz também uma avaliação sobre a gestão do prefeito Rogério Lins (Podemos) em Osasco e analisa o cenário da disputa à presidência. Confira:

Visão Oeste: Quais seus principais projetos e bandeiras para caso seja eleito deputado estadual?

Gelso LimaTem duas bandeiras que tenho me dedicado com prioridade: Saúde e Segurança. A saúde, pela experiência que acumulei. Fiquei sete anos como secretário de Saúde aqui em Osasco, cidade grande, 7.500 funcionários, e deu para ter uma boa base de como funciona a Saúde, aquilo que funciona e o que são falhas, aquilo que eu não faria se tivesse uma outra oportunidade.
Com relação à Segurança, enxergo não só do ponto de vista da polícia. Acho necessário estruturar a polícia, ter mais inteligência, armar melhor, pagar melhores salários. Nós pagamos o 23º salário hoje para o policial militar num estado que é o mais rico da Federação. E, para mim, a segurança precisa ser enxergada do ponto de vista de quem está na base.
Enquanto a nossa juventude fica extremamente ociosa, do jeito que está hoje, sem perspectiva de vida, presa fácil para o tráfico, para o crime organizado, nós não vamos superar o problema da violência, porque boa parte da nossa violação está ligada à questão das drogas.
Então, enxergo não só a preparação da polícia, por uma polícia mais amiga, mais cidadã, com mais estrutura, inteligência, mas também os programas de inclusão social como o resultado efetivo para a gente tirar nossa juventude das mãos do traficante. Ao contrário do que, por exemplo, fizeram recentemente com a intervenção [militar] no Rio de Janeiro, que eu sou particularmente contra.

Tem projetos que gostaria de citar como exemplo do que defende na Saúde?

Na Saúde, é preciso pegar experiências exitosas em outras regiões e trazer para a nossa cidade, a nossa região. Por exemplo, sou defensor do AME (Ambulatório Médico de Especialidades, do governo do estado). Os grandes gargalos da Saúde hoje estão nas nossas especialidades. Então, se a gente trouxer um AME para o município, para a gente desafogar nossa policlínica, que atende hoje regionalmente, nós vamos dar um pouco mais de tranquilidade para fazer outras ações na área da Saúde.
Outra ação regional extremamente importante na área da Saúde é a gente fazer uma leitura dos equipamentos que tem em toda a região: equipamentos de imagens, de laboratórios, vagas em hospitais, e disponibilizar isso no consórcio regional (Cioeste), fazendo cada município pagar a sua fatura e o estado, como ente da Federação responsável pela saúde regional, possa suprir às demandas que tem.
Um exemplo: Osasco, estima-se que atende hoje cerca de 30% de pessoas de fora da cidade. Uma vez comprovado que, de fato, 30% dos pacientes atendidos na cidade são de outros municípios, que o estado reponha este recurso na forma de transferência para o município. Nós precisamos ter um órgão independente, responsável, que faça essa leitura.

Tem muito candidato que faz campanha destacando também a importância de o eleitor votar em candidatos do município, da região. Também bate nesta tecla ou avalia que o deputado atua pelo estado inteiro, independente da região?

Bato na mesma tecla. Sou defensor há muito tempo do voto distrital, que se dividam as regiões e a gente eleja representantes naquela região. Por exemplo, se a gente votar num candidato do interior do estado, o que é legítimo pelas regras atuais, ou da Capital, este deputado, seja federal ou estadual, dificilmente vai lidar com os problemas regionais. Dificilmente ele vai andar nas ruas de Osasco, de Carapicuíba, Barueri, Itapevi, Jandira, e se debruçar sobre os problemas que estão aqui para buscar soluções junto ao governo do estado.
Um exemplo é o Corredor Oeste. Não tem cabimento você ter um corredor que vai facilitar nosso problema de mobilidade, de transporte coletivo, que liga Itapevi à Vila Yara, dificilmente vai um deputado do interior, se debruçar a este problema como prioridade. Esse é um problema regional, é um problema nosso aqui. Portanto, o apelo que faço é que mesmo que as pessoas não gostarem das nossas propostas, que escolham gente aqui da região, para que a gente possa encontrar nos eventos, ir no gabinete deles, cobrar deles aquilo que eles se comprometeram.

Qual você considera um número adequado de representantes da região na Assembleia Legislativa?

A região Oeste elegeu, nas últimas eleições, cinco deputados estaduais, um deles infelizmente faleceu, o doutor Celso Giglio (PSDB), o Marcos Martins (PT) não será mais candidato, dois se elegeram prefeitos, o Igor Soares (Podemos), de Itapevi, e o Marcos Neves (PV), de Carapicuíba, e o Gil Lancaster (DEM), de Barueri. Então, comporta, na região, a gente eleger de cinco a seis deputados.
O que me preocupa hoje é a cidade de Osasco, porque historicamente, pelo menos nas últimas décadas, costuma se eleger alguém ligado ao prefeito, à situação, e alguém ligado à oposição, tendo dois deputados na representação. E aqui na cidade de Osasco temos 28 candidatos a deputado e mais um monte que trouxeram de fora. Então, esta divisão é muito nociva.

Seu partido tem sete candidatos de Osasco a deputado estadual…

Nove.

E como foi a discussão por esta estratégia internamente?

Não tenha dúvida que é um prejuízo para a cidade. Nós temos 870 filiados e lançamos nove candidatos a deputado estadual. Eu, que estou aqui na cidade fazendo política há 30 anos, não tinha visto isso ainda. Geralmente, da base do governo saem vários candidatos, mas nove de um único partido ligado ao governo, eu nunca tinha visto, é uma coisa inédita. Para um partido considerado pequeno, 870 filiados…
Por mais que alguns destes candidatos se destaquem, com chances maiores de vitória, cada um dos outros tendo mil, dois mil, quatro mil votos, evidentemente que tira a chance, a oportunidade de um dos candidatos se eleger. Então, isso é ruim para a cidade. Fui contra.
Evidentemente que o povo é muito sábio. O povo lerá, no momento oportuno, quais são os candidatos que têm um pouco mais de chance e pode fazer aquilo que a gente chama de voto útil, canalizando os votos para dois, três, quatro deputados da cidade. E espero que a população me dê essa oportunidade.

“Se a gente trouxer um AME para o município, para desafogar nossa policlínica, vamos dar mais tranquilidade para fazer outras ações na área da Saúde”

Você foi secretário, articulador político, sempre atuou nos bastidores da política. Por que decidiu se candidatar agora?

A primeira razão é que há um ambiente muito hostil na política hoje. Nossa região está sem representação e o grande sentimento da população hoje é um sentimento de mudança, de renovação. Então, me encaixo nesse ambiente de um candidato que nunca disputou eleição, portanto, de renovação.
O segundo motivo que me levou a ser candidato foi que o prefeito, no início deste ano, me fez um convite para voltar para a Secretaria da Saúde, que eu ocupei durante sete anos, mas eu estava disposto a um novo desafio. Enxergo a Saúde de um modo diferente do que ela está sendo gestada hoje no município. Respeito quem administra a Saúde hoje, mas tenho uma visão diferente.
E outra: fiquei a vida inteira nos bastidores e chegou um momento em que resolvi mostrar minha cara para saber se a população me dá essa oportunidade de eu representá-la com um mandato.

E sua principal dobrada na campanha é com a deputada federal Renata Abreu?

Minha prioridade é a Renata Abreu. Ela é presidente nacional do meu partido, conheço a índole dela, é uma pessoa que tem palavra, tem compromisso com a cidade, tem ajudo a trazer recursos para a cidade. Aliás, foi a deputada que mais trouxe recursos nesse último período. Então, ela merece de nós todo o respeito. Tenho 28 dobradas, mas a Renata Abreu é minha prioridade sem sombra de dúvidas.

Como tem avaliado a gestão do prefeito Rogério Lins?

O momento que estamos vivendo no país é um momento muito diferente e com escassez de recursos. Mas o nosso prefeito veio com uma proposta de renovação e precisa melhorar. Acho que tem secretarias e serviços que estão aquém daquilo que a população espera. Mas, como ele está no meio do mandato, vamos avaliar o governo do prefeito Rogério Lins ao longo dos quatro anos, ter um pouco mais de paciência para a gente fazer uma análise mais cabal se valeu a pena ou não ter votado no Rogério Lins.
Vejo uns pontos mais gritantes [a serem melhorados]. A Saúde é o que salta aos olhos, precisa melhorar muito. É um orçamento bastante razoável, de R$ 600 milhões, mais do que 80% dos municípios no Brasil. Então, com um orçamento desse, precisa apresentar resultados mais satisfatórios.
Vejo também problemas como na área de Mobilidade, precisa fazer mais. Na Segurança, embora a responsabilidade seja do governo do estado, podemos melhorar, equipando melhor a nossa guarda, ampliando o número de oficiais, e há um esforço nesse sentido, mas os resultados ainda não vieram. Na área do Esporte, estamos devendo para a cidade. Gramar 10, 12 campos de futebol com grama sintética é barato, passaram quase dois anos já e a gente podia ter melhorado um pouco mais.

Como está sendo, depois de quase três décadas no PT, concorrer em sua primeira eleição por outro partido?

Nos partidos que não têm vida orgânica, como têm o PT, o PSDB, você tem a vida facilitada. Porque, no PT, tudo o que eu falo, se for contra a cartilha, no outro dia tem que prestar contas na reunião do diretório. Num partido que não tem vida orgânica, você é dono do seu próprio nariz.
Não estou acostumado com isso. Gosto de ter vida partidária, discutir o rumo das coisas, o que meus colegas de partido pensam. Pretendo, se eleito, e a deputada Renata Abreu (presidente nacional do Podemos), tem me prometido isso, cuidar da criação e da montagem dos diretórios aqui na região.
Hoje o partido não me atrapalha em absolutamente nada, não me cobra em absolutamente nada. Até porque tem gente lá de esquerda, direita, extrema direita.

Pode-se dizer que o Podemos é um dos partidos que dão margem àquela questão do ‘eu não voto em partido, voto em pessoas’. O que acha desse discurso?

Combato esse discurso, mas em todos os lugares que vou as pessoas falam neste sentido. Acho, inclusive, que nós tínhamos que votar em lista, porque nós temos que saber o que o partido pensa, não que a pessoa pensa.
A pessoa tem que ter um programa por trás, uma identidade, um compromisso de fato. Se eu escolho você sem ter um partido, uma ideologia, um projeto, um programa de governo, você faz o que quiser e eu vou cobrar o que de você depois?

Na disputa pelo governo do estado, seu partido apoia Márcio França (PSB), que esteve em Osasco e demonstrou apoio à sua candidatura a deputado estadual. Ele tem enfrentado dificuldades para decolar nas pesquisas, aparecendo sempre em terceiro, atrás de Paulo Skaf (MDB) e João Doria (PSDB). O que falta para Márcio França decolar na disputa pelo governo do estado?

Ele ser mais conhecido. Os dois candidatos que lideram as pesquisas saíram na frente, o Doria porque é um fenômeno, foi prefeito da Capital eleito no primeiro turno, um cara de televisão; e o Skaf disputa a eleição de quatro em quatro anos. E o Márcio França é um candidato que virou governador agora (era vice de Geraldo Alckmin, do PSDB, que disputa a presidência) e que foi prefeito de uma cidade pequena, São Vicente. Então, ele não era muito conhecido. Dá tempo de ele virar o jogo porque acho que a televisão tem um efeito importante.
Minha avaliação é que o Doria sequer irá para o segundo turno. Se Márcio França dialogar bem com a população, vai crescer na base do Doria.

Na disputa pela presidência, o candidato do Podemos, Alvaro Dias, também enfrenta dificuldades para emplacar nas pesquisas. Acredita que dá tempo de ele crescer e se firmar na disputa?

Acho muito difícil. O Brasil foi dividido, nas últimas décadas, entre centro-direita, representada pelo PSDB, e centro-esquerda, representada pelo PT. A centro-direita foi ocupada pelo Bolsonaro e sobra [espaço para] um candidato de centro-esquerda, o que está longe do perfil tanto do Alckmin quanto do Alvaro Dias. E o Alvaro Dias, além da falta de recursos, não tem tempo de TV, não tem palanques regionais. Então, na verdade, como ele é um dissidente do PSDB, acaba, inclusive, prejudicando a possibilidade de crescimento do Alckmin no Paraná e em Santa Catarina.

A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, que disputa a reeleição como deputada federal, declarou em, entrevista ao Visão Oeste, que Alvaro Dias seria o candidato com maior potencial para tirar votos do Bolsonaro.

Na verdade, a deputada vai ficar brava comigo… mas acho que não acertamos o nicho com quem a gente deveria dialogar. Quando a gente faz um ataque muito frontal ao PT, ao Lula, à esquerda; quando a gente faz muita devoção ao Sergio Moro, essa coisa da Lava Jato; a gente entra num discurso que já tem dono. Então, não adianta o Alvaro Dias falar que o PT, a Lava Jato, o Sergio Moro… esse já é o discurso do Bolsonaro. Então, ele está tentando brigar por um eleitorado que já tem dono.
Minha avaliação é que deveria ser feito um discurso mais cauteloso, de centro, apresentando para o país uma alternativa, apresentando propostas concretas para o país, para chamar a atenção daqueles que não são nem direita, nem esquerda.

E por que avalia que Jair Bolsonaro (PSL) aparece tão consolidado na liderança das pesquisas de intenção de voto à presidência?

Por uma razão muito simples: a desesperança na política. Respeito o eleitor do Bolsonaro, mas o Bolsonaro representa a negação à política. É a desesperança, a negação, a frustração com o que viu na polarização do país nos últimos 24 anos.

A facada pode refletir em uma possível eleição de Bolsonaro ou tem pouca influência?

O efeito que teve o episódio do atentado não foi o crescimento efetivo do Bolsonaro, mas a consolidação de um público que estava com vontade de votar nele, mas tinha dúvida. Esse público acabou efetivamente se consolidando do lado dele, tanto que as pesquisas espontâneas e estimulada têm resultados muito próximos no caso do Bolsonaro.

E como vê a estratégia do PT de insistir com Lula até o último minuto e depois lançar Fernando Haddad na disputa à presidência?

Certíssimo. Se o PT decide o candidato lá atrás, primeiro que dividiria o PT. A maior parte do PT caminhava com Jaques Wagner e não com Haddad. Portanto, se ele lança Haddad com o partido dividido, com membros defendendo a insistência no Lula, outra no Haddad, outra no Jaques Wagner, e o escolhido apanhando desde o início da campanha… Nesse momento ele já estaria desidratado.
E o Bolsonaro acabou ajudando o PT. Se o Alckmin tivesse os índices do Bolsonaro hoje, ganharia a eleição com o pé nas costas.

E como vê a candidatura de Ciro Gomes (PDT)?

Ele tem um bom preparo, capacidade. O problema é que ele disputa a centro-esquerda com o Haddad, que é um cara desconhecido, um poste, mas tem um cabo eleitoral muito forte. O Lula, de dentro da cadeia, impediu que Ciro Gomes avançasse com uma aliança com o PSB.
Ciro pode surpreender ainda. Pode ter o voto útil de quem não quer votar no PT. Mas não vejo possibilidade dele crescer, não.
Acho que a esquerda vai ocupar o espaço através do Haddad, que não tem nada de esquerda, é um professor universitário social-democrata à la Fernando Henrique Cardoso, e tem um padrinho que todo mundo queria ter.

“Por exemplo, se a gente votar num candidato do interior do estado, ou da Capital, este deputado dificilmente vai lidar com os problemas regionais. Dificilmente ele vai andar nas ruas de Osasco, de Carapicuíba, Barueri, Itapevi, Jandira, e se debruçar sobre os problemas que estão aqui para buscar soluções junto ao governo do estado”

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