“Governo do estado age como espectador”, diz Prascidelli

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Vice-prefeito deve ser candidato a deputado federal em 2014 / Foto: william Galvão
Vice-prefeito deve ser candidato a deputado federal em 2014 / Foto: william Galvão

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Jeferson Martinho
Leandro Conceição

No início do ano, o vice-prefeito de Osasco, Valmir Prascidelli, recusou a oferta de acumular uma secretaria. Explica que preferiu atuar na articulação de projetos regionais, no apoio ao governo. Hoje, com 10 meses de mandato, critica a postura do governo do Estado, que “deixa os prefeitos na busca de soluções individualizadas que não resolvem o problema” e avalia positivamente o desempenho da gestão Jorga Lapas. Cotado para ser candidato a deputado federal, ele visitou a redação do jornal Visão Oeste na última quarta-feira e falou das perspectivas para o futuro.

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Como o vice-prefeito, Valmir Prascidelli avalia esse primeiro ano de mandato?

Eu acho que está indo bem. Apesar de ser um governo de continuidade, de sucessão, do mesmo grupo, você muda inevitavelmente as características, não só pessoais, quanto o próprio momento da cidade. Então você tem um novo ritmo. O primeiro ano é sempre de muito planejamento e preparação para a realização daquilo que se propôs na campanha. O [prefeito Jorge] Lapas (PT) tem se preocupado bastante com essa questão.

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As administrações na região tem se debruçado basicamente sobre dois temas: a saúde e a mobilidade urbana. Isso já era esperado?

A saúde é sempre um tema de cobrança da população. E a mobilidade urbana, nos últimos anos, tem se tornado uma preocupação, por conta do adensamento que a região metropolitana. O Haddad, na campanha, não só utilizou bastante esse tema, com tem pautado o governo nessa questão do transporte. Aqui em Osasco não é diferente, é uma cidade que tem o reflexo da capital. A discussão da mobilidade urbana no Brasil foi pautada muito pela individualização, pelo transporte individual, pelo carro, e nós precisamos mudar isso. O conceito cultural nosso é o do automóvel; as pessoas vão buscar toda facilidade de financiamento, etc. E o investimento no transporte coletivo é muito caro. Os municípios que precisam não conseguem fazer, e a gente tem uma dificuldade clara de compreensão do governo do estado sobre o papel que ele exerce ou deveria exercer. O governo do estado fica ausente.

É difícil dialogar com o governo do estado?

O governo do estado não tem uma atuação mais republicana com relação aos municípios. Se eu disser que os recursos que vem do governo do estado de programas e projetos dos municípios demoram pra vir, eu estaria mentindo. Agora, ele [governo do estado] não tem tido um olhar para a parceria que precisa ter. Os municípios por si só não conseguem resolver problemas complexos como o da mobilidade urbana. O papel que o governo do estado deveria exercer seria de mais protagonista do que espectador. Ele age como espectador. Ele deixa os prefeitos na busca de soluções individualizadas que não resolvem o problema. [É assim] A questão da destinação dos resíduos sólidos; da atuação na área da saúde ou na área da educação.

O consórcio vem corrigir de fato esse problema?

O consórcio vem a ser um dos instrumentos mais importantes para a solução disso. Você começa a ter uma pressão mais intensa coletiva para o governo do estado.

Tivemos os protestos de junho que tive resultado, já que a passagem abaixou para R$ 3. Já existe debate sobre a possibilidade de aumento pro ano que vem? Em São Paulo, o Haddad falou que não vai ter aumento mas vai aumentar o IPTU…

É uma questão de difícil solução. São Paulo e parte dos municípios dão subsídio ao transporte; nós não damos aqui em Osasco, e não queremos dar subsídio para o transporte. O que o prefeito Haddad está dizendo não é diferente do que ele disse lá atrás. ‘Se não houver aumento de passagem, de onde eu tiro recurso pra cobrir o preço do sistema de transporte?’ Para dar condição de que ele funcione. A discussão que está sendo feita em São Paulo é a alteração dos valores do IPTU, mas São Paulo tem uma outra realidade também. Na cidade de Osasco, nós ainda não entramos nesse debate ainda. Nós vamos fazer um plano diretor de mobilidade, começamos essa discussão, e a partir dele que a gente consegue ter efetivamente uma real situação.

A sociedade cobra a abertura das planilhas das empresas, mas isso nunca acontece de fato…

Eu defendo que sejam abertas as planilhas, não tenho uma visão contraria não.

Mas o que trava?

O que trava é a formatação dos contratos de concessão que são feitos num modelo de muito tempo atrás, quando a sociedade não fazia uma cobrança, tal qual faz hoje. Na capital foi constituída inclusive uma comissão parlamentar de inquérito nesse sentido. E lá tem um modelo mais recente, é uma dimensão diferenciada. Osasco vem com esse modelo já de muitos anos. Nós precisamos rever, e o Plano Diretor de Mobilidade vai nos dar essa condição.

A questão da integração das ferrovias tem sido importante… Como está o diálogo com o governo do estado para o bilhete integração?

Então, tudo isso está dentro do contexto do Plano Diretor. Não adianta você ter esse bilhete de integração se não tiver na prática essa integração. Se não tiver o destino dos ônibus para as estações, então precisa fazer essa remodelação.

Qual o papel do vice no governo?

Eu estou aprendendo ainda. O pessoal brinca que vice não aparece na moedinha, não tem nome de rua. Mas veja, você tem que buscar participação, sem criar constrangimento de espaço político. O papel a ser exercido varia em cada lugar, em cada situação. Tem vice que assume uma determinada área de atuação e trabalha naquela área. No nosso caso, preferi não assumir nenhuma secretaria e tenho ajudado na discussão política, na questão do planejamento do governo, nas ações mais globais, tenho conversado bastante com o Lapas nesse sentido.

Com as recentes mudanças, a criação do Pros, do Solidariedade, e o não ao Rede, como estão as conversas com os partidos?

Pra nós estão ocorrendo de forma positiva. Nós tínhamos algumas pessoas de relação do governo participando da organização dos três partidos. O Pros tem dois vereadores indo pra lá. Então acho que é um cenário positivo nesse momento. Mas a gente tem que procurar sempre manter, conversar, estabelecer o diálogo.

Sobre 2014, tudo indica que o senhor será candidato a deputado federal. Como o senhor avalia o desafio de substituir João Paulo Cunha?

Primeiro é ruim a perda da possibilidade de uma pessoa, com a capacidade que o João Paulo tem, com a história que ele tem, não poder ocupar o espaço. Acho que é ruim para a política no geral, para a cidade e para o estado. Mas as circunstancias fazem com que ele não dispute. Vai ser um aprendizado e um desafio. Não tenho nenhuma pretensão em substituir a pessoa do João Paulo, mas o espaço político que temos na Câmara é fundamental para a nossa região. Mas é uma discussão que o partido vai fazer até o período das convenções, em maio ou junho do ano que vem.

O [ex-prefeito] Emídio de Souza, sendo eleito presidente estadual, ajuda no fortalecimento do PT na região?

Ajuda no fortalecimento do PT no estado. É uma liderança importante, em ascensão, que vai poder dar uma qualidade para o PT no estado. A relação dele com a região, claro, não é que ele vá priorizar a região, mas sem dúvida nenhuma ele vai considerar o peso eleitoral e político da região. Até porque uma das demandas que nós temos é a da necessidade do debate do PT nas cidades pequenas, e até o debate com relação ao governo do estado na atuação nas cidades pequenas.

Como o senhor avalia a escolha de Alexandre Padilha [para candidato ao governo estado] em 2014?

Eu acho que o PT, apesar de todo o bombardeio feito por alguns setores da imprensa, está demonstrando que nós temos condições de ganhar a eleição; reeleger a Dilma, mas, mais do que isso, pela primeira vez temos candidaturas fortes, capazes de ganhar nos três principais estados do Brasil: São Paulo, Minas Gerais e Rio. O Padilha é um candidato que combina capacidade de diálogo com a sociedade paulistana, que tem um grau de conservadorismo grande, com a capacidade de diálogo com os movimentos sociais e com os partidos. A expectativa é muito positiva.

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