Há muito mais a dizer e pensar sobre as manifestações

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Carlos Neder*

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As manifestações pela redução das tarifas e melhoria dos transportes públicos evoluíram em ritmo acelerado. Multiplicam-se as interpretações do que teria levado ao caráter explosivo e massivo que rapidamente assumiram.

Não dá apenas para ressaltar o fato dos jovens terem ido às ruas, com novos métodos de convencimento e mobilização. Nem basta mais repudiar a violência do Governo do Estado e de parte dos participantes.

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Há muito mais a dizer e pensar a respeito. A saturação e má qualidade dos transportes favoreceram os protestos e o recuo no aumento das tarifas tornou-se inevitável. A responsabilidade desse sistema é dos governos federal, estadual e municipal. Por ser complexo, é impossível fazer, no calor da batalha, o debate correto de informações técnicas e de propostas para sua renovação.

A pressão popular por mudanças deve pautar o próximo período. O momentâneo congelamento das tarifas abre a possibilidade de que os compromissos assumidos em programas de governo e os estudos de viabilidade econômica sejam discutidos à exaustão, com participação da sociedade, para se encontrar alternativas duradouras.

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As manifestações também serviram para questionar a cultura política que prevalece entre nós, com ênfase à democracia representativa (partidos, eleições, cargos institucionais) e à participativa (colegiados e outros mecanismos de participação e de democratização da gestão). Resgataram a legitimidade da democracia direta, com o povo nas ruas.

Os jovens exigem novos métodos de fazer política. Ainda que de modo insuficiente, devemos garantir a articulação dessas três modalidades de democracia e participação para não criminalizar os movimentos, suas lideranças nem comprometer sua autonomia.

A discussão ultrapassa os transportes. Há outros temas importantes como saúde, educação, segurança pública, redução da violência e combate à corrupção. Temos de aprofundar essa reflexão, que terá consequências na ação política dos partidos, mandatos eletivos, sindicatos e movimentos sociais.

Precisamos debater isso em plenárias democráticas e participativas como temos feito. Um novo entendimento do papel dos jovens, das redes sociais e da mídia no processo de transformação da sociedade é parte desse desafio.

* Carlos Neder é deputado estadual pelo PT

 

 

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