Indignação seletiva, greve invisível

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A atitude da grande mídia e da sociedade em relação à greve dos professores da rede de ensino do estado de São Paulo é um indicativo bastante revelador sobre o grau de seletividade com que são encarados os movimentos trabalhistas. Sobretudo quando confrontados com o senso comum, no caso dos educadores, que tendem a ser encarados como categoria essencial, edificadora do futuro, injustamente desvalorizada, entre outras realidades largamente aceitas.

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Greve dos garis: essa sim põe em alerta a mídia e a varanda gourmet

Era de se esperar, portanto, bandeiras de luto nas janelas, mensagens de apoio, xingamentos e desabafos nas redes sociais, além de cobertura especial das TVs na passeata de recheou a Avenida Paulista de professores reivindicando melhores salários e condições de trabalho mais adequadas. De fato, deveria incomodar muito aos revoltados da ordem do dia, nestes tempos de instabilidade política, que uma categoria tão importante na formação do caráter dos filhos dos paulistas esteja tão desvalorizada.

Ah, não, espera… Não aos paulistas que vão às varandas gourmet bater panelas. Nem aos que vão à Av. Paulista fazer selfies com policiais militares. Os filhos destes paulistas, na maioria, não estão perdendo aulas, ou vivenciando a condição precária das escolas públicas. Porque simplesmente não precisam da rede pública de ensino.

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Para esses brasileiros indignados, bem informados por uma mídia que faz a seleção cirúrgica de alvos, não de notícias, realmente “não está tendo greve em São Paulo”, para usar a frase do governador Geraldo Alckmin ao analisar a situação. Enquanto isso, a greve segue. Histórica, com as mesmas pautas de sempre (acumuladas), praticamente invisível.
O (quase) consolo dos demais brasileiros que se indignam, sim, com a situação dos professores é, talvez, a greve dos garis: essa sim, uma que não diferencia periferia de centro. E põe em alerta a mídia e a varanda gourmet.

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