Internação compulsória: é preciso ir além

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Valdir Roque é vereador em Osasco e coordenador do PT na macrorregião

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*Valdir Roque

Um aspecto positivo da internação compulsória de dependentes químicos após indicação médica e autorização da Justiça, que começou a valer esta semana no estado, é trazer a tona o debate sobre políticas públicas contra as drogas.
Considero que buscar a internação compulsória de um ente querido assolado pelo vício é um ato de amor, de querer o bem. Como o caso da jovem que colocou calmante no suco do pai, dependente há dez anos, para levá-lo em busca da internação, na Capital.

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No entanto, como política pública, a internação compulsória deve ser vista com muita cautela, como último recurso. A medida enfrenta críticas de especialistas por ter eficácia duvidosa, supostamente violar direitos humanos e muitas vezes ter caráter higienista. Além disso, o governo do estado não apresentou uma proposta clara de atendimento psicossocial após o fim da internação.
O ideal é que, antes da internação compulsória, o estado abrisse mais vagas para internação voluntária e atendimento a dependentes químicos.

Na região, só há uma clínica pública, em Cotia, com cerca de 120 vagas por ano apenas. Segundo o governo paulista, em todo o estado são apenas 691 vagas de internação, com projetos para abrir mais 488. Muito pouco.
A epidemia do crack começou a se espalhar por São Paulo no início dos anos 1990 e quase nada foi feito pelos governos do PSDB para combatê-la. Agora, com cracolândias espalhadas por todo o estado, o governador Geraldo Alckmin lança mão de uma medida extrema e que não vem acompanhada de políticas de prevenção.
Após mais de 20 anos de negligência, o governo paulista, enfim, começa a agir contra a epidemia das drogas, mas inicia com o que deveria ser o último recurso.

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