José Mariani vem a Osasco divulgar seu novo filme, Um Sonho Intenso

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Diretor vai falar sobre o longa-metragem / Fotos/Reprodução e Divulgação

Diretor vai falar sobre o longa-metragem  / Fotos/Reprodução e Divulgação
Diretor vai falar sobre o longa-metragem / Fotos/Reprodução e Divulgação

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William Galvão

Após passar pelo festival de documentários “É Tudo Verdade”, o novo longa-metragem de José Mariani, Um Sonho Intenso, conta com exibição gratuita em Osasco no próximo dia 14, às 18h, no auditório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Depois do filme, o diretor bate um papo com os telespectadores.
O filme é a história comentada do desenvolvimento socioeconômico do Brasil, contada a partir dos anos de 1930. Economistas como Carlos Lessa, Maria Conceição Tavares, Francisco de Oliveira e outros fazem suas análises sobre os ciclos de crescimento, a industrialização e as mudanças políticas produzidas no país nas últimas décadas. Ao Visão Oeste, o diretor concedeu entrevista para falar sobre seu novo trabalho.

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Filme conta processo socioeconômico sob olhar progressista

Visão Oeste: Na cinebiografia de Celso Furtado, O Longo Amanhecer (2007), você trata bastante da economia brasileira. Por que e quando surgiu a necessidade de se aprofundar no tema com Um Sonho Intenso?
José Mariani: No filme do Celso Furtado, o personagem é quem faz uma reflexão ao longo de sua vida acadêmica, como economista, sobre o processo econômico brasileiro. Inclusive seu livro, Formação Econômica do Brasil, se tornou um clássico. Eu vi que ali dentro tinha uma história que poderia ser aprofundada. Um filme dentro de outro filme. Foram surgindo novas perspectivas, janelas que iam aparecendo. E aí você decide se abre ou não. Mas foi com o primeiro filme, a cinebiografia de Cesar Lattes e José Leite Lopes, cientistas sociais, que cheguei até o filme do Celso. Nos anos 50, havia uma geração do pós-guerra que, por diversas razões, estava muito envolvida num projeto de nação. Algo que hoje em dia está obsoleto. E a academia brasileira também estava nessa. E eu quis buscar um personagem dessa geração, o Celso Furtado.

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14---Sonho_Intenso-JK-constQual o critério utilizado para selecionar esse time de intelectuais para o filme?
Pensei num critério de não filmar o personagem histórico, o gestor de política. Quis fazer um filme de história comentada. Então esse foi o primeiro corte. O segundo foi abordar uma visão de centro-esquerda e de esquerda, uma visão progressista. Esse segundo filme eu dedico ao Celso Furtado, todo mundo sabe disso. E também não é um filme panfletário: é uma história comentada, o telespectador é convidado a pensar sobre o tema, sobre a história econômica do país. E é como o cenário da comunicação do nosso país. A imprensa tem várias tendências, não é mesmo? O jornal x tem uma visão, o canal de TV, a revista, todo mundo tem um lado, e eu quis contribuir com a história econômica do Brasil sob o olhar progressista.

Por que você escolheu esse recorte no tempo, da Era Vargas em diante, e não um período menor, por exemplo?
Há um consenso entre historiadores e economistas, onde a década de 30 é tida como um marco no campo político, social e econômico no Brasil. O país estava começando a se industrializar. Antes da década de 30 havia predomínio da exportação agrária, exportação de matéria-prima, a fase do café, da soja. Tínhamos uma economia baseada na agricultura. Muito por conta da crise de 29, surgiu a necessidade de desenvolver o mercado interno, no sentido de modernizar o estado, então é aí que o Brasil começa uma fase de industrialização e modernização.

O Celso Furtado falava muito em usar “o conhecimento como forma de agir”. É possível traçar um paralelo da chamada “sociologia do conhecimento” com os movimentos de rua que vemos hoje pelo país?
O Celso fala isso como agir no presente, enquanto a função do intelectual sempre foi pensar o passado. E Celso foi um gestor, inclusive no início do governo de Jango. Ele foi muito ousado, inovador, sempre pensou na ação acima de tudo. O intelectual clássico não vai à política, não está em cargos econômicos, administrativos. Recentemente isso mudou um pouco, mesmo que com raras exceções. O Fernando Henrique, por exemplo, era da academia, e foi uma exceção. A academia pensar em contribuir enquanto ação política não é muito comum. O político não é um homem acadêmico. O plano nordeste de 1950, por exemplo, foi um estudo sobre a história do Brasil, para desenvolver uma região esquecida. E isso tinha o dedo do Celso; nenhum outro intelectual colocou em prática. Ninguém havia pensado que não se deve combater a seca como não se combate a neve. Deve-se saber conviver com isso.
Agora com relação à questão do Brasil hoje, acho que esses movimentos são legítimos sim, são movimentos de reivindicação legítimos, mas não são movimentos organizados por intelectuais.

Um Sonho Intenso na Unifesp Osasco

Exibição do filme e bate-papo com José Mariani
Segunda-feira, dia 14, às 18h
Rua Angélica, 100
Grátis

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