Lapas garante que mesmo com crise obras vão continuar

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Prefeito de Osasco concede entrevista durante visita ao Visão Oeste na terça, 8 / Foto: Leandro Conceição
Prefeito de Osasco concede entrevista durante visita ao Visão Oeste na terça, 8 / Foto: Leandro Conceição

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O prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), esteve no Visão Oeste nesta semana onde deu entrevista à equipe do jornal. Além de um balanço das principais conquistas de sua gestão, criticou a ausência do governo do estado, analisou o cenário político nacional e as perspectivas para o próximo ano.

Qual o balanço que faz de 2015 para a administração municipal?
A crise política veio acompanhada de uma retração nas receitas dos municípios e aí temos que fazer opção. A gente optou por continuar os projetos que vão transformando a cidade em todas as áreas: educação, saúde, infraestrutura. Ou você corta na carne, cortando funcionários, como nós fizemos, ou para o projeto e mantém os funcionários. No governo do Emidio a gente queria cortar 10% da folha [de pagamento da prefeitura], e conseguimos 3%. Agora cortamos 20%. De 21 mil funcionários, passamos para 17 mil. É decisão que precisávamos tomar.

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E como ficaram os repasses das verbas federais para os projetos do PAC com a crise econômica?
No começo do ano não teve tanto atraso, mas do meio do ano pra cá houve atraso. O PAC é assim: ele libera 40%, aí depois mais 40% e depois mais 20%. Não está acontecendo mais isso, agora vai liberando aos picados. O que estamos fazendo é adiantando a contrapartida para não parar obra. Conversamos com o [ministro das Cidades, Gilberto] Kassab, o problema deles é o ajuste fiscal. Se resolver essa questão acho que retoma normalmente os repasses.

“Alckmin está devendo para nossa região”

E quais são as principais obras?
O Rochdale, que é uma obra imensa, tem canalização, avenida, UBS, parque linear, áreas de lazer; a urbanização do Santa Rita que está mais adiantada, com 50% de obra executada. E a avenida Visconde de Nova Granada, na zona Sul. Tem também a obra do Paço Municipal, a ligação com São Paulo no Jardim Wilson, que agora engrenou. Hoje passei lá, a obra está andando. Várias escolas em construção, no Jd. D’Abril, Munhoz Júnior… Escolas, temos o plano de entregar 10 até o final do ano que vem. Entregar também a UPA do Centro, que melhora o atendimento no Hospital Central. O Teatro Municipal é mais uma modernização, vai ficar bem legal e entregamos agora em fevereiro.

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Qual problema aconteceu com a obra do Paço Municipal?
Foram dois problemas, criados pela oposição. O terreno da CMTO é o mais complicado, porque estava gravado como área verde, mas nunca foi utilizado assim. Se a gente tivesse sido mais ágil na parte jurídica, teríamos conseguido provar que antes da lei, de 1988, já não era área verde o local. Agora temos outra área para substituir por essa [como contrapartida para a iniciativa privada]. Outro problema foi com a Cetesb. Foram inventar que tinha contaminação do terreno [da antiga fábrica da Hervy, onde está sendo construído o novo Paço], o que não é verdade. Tanto que a obra já foi liberada e está andando. Se você passar lá vai ver caminhão concretando. A obra do novo Paço vai continuar.

Foi divulgado que devido a corte de verbas a prefeitura poderia desistir do projeto das subprefeituras. É verdade?
Não, esse projeto é do BNDES. O recurso está aprovado e agora vamos fazer a licitação para duas subprefeituras. É o recurso total, para fazer a obra e equipar. Está garantido.

Duas pedras no sapato da prefeitura são a Universidade Federal e a demolição dos prédios do Nova Grécia.
Conseguimos R$ 10 milhões nesse ano para começar a obra [do campus], o que atrasou foi o processo licitatório. A reitora ainda tem esperança que esse ano ainda conclua a licitação para começar a obra ano que vem. Ela já tem o empenho desse valor. Já o Nova Grécia envolve mais articulação nossa, porque é da iniciativa privada. A demolição estava andando bem, é um encontro de dívidas, envolve outros terrenos. Estamos sempre acompanhando, conversando com a Caixa Econômica. Dizem que a dívida é R$ 1 bilhão e o patrimônio é R$ 500 milhões. São dívidas que eles têm com a União. Acredito que terá solução.

“Represento um projeto que vem mudando a cidade”

Como estão as obras que dependem do governo do estado?
Eu falei para o governador (Geraldo Alckmin – PSDB) há 15 dias de novo sobre a nova entrada para a cidade, que não tem custo nenhum para o governo do estado, a [concessionária da Castello Branco] CCR quer fazer. Falei para o governador que ele está devendo para nossa região, o Hospital Regional está praticamente fechado, a obra do Fórum está parada, as obras das estações paradas, as escolas não tão numa situação boa.

A divulgação da expansão da Zona Azul para os bairros foi bastante impopular. O plano está mantido?
O que houve é que na relação de ruas incluíram algumas que não estão no projeto. Houve uma falha nossa ali de incluir ruas onde não havia ainda sido feita uma conversa com os comerciantes. Porque a gente só inclui se eles querem. A Zona Azul foi implantada a pedido dos comerciantes, porque o talãozinho era uma bagunça. O sistema funcionou bem e teve aceitação. Só que no pacote colocamos algumas ruas que não tinha nada a ver, como no Rochdale. Mas o projeto continua. Apesar dos vereadores de oposição acharem que o sistema é muito rentável, ele não é muito rentável, a margem de lucro é baixíssima. Se a gente operasse o sistema, tenho certeza que seria deficitário. E nós não estamos visando o lucro, o objetivo é girar mais o comércio.

Em relação à política nacional, como viu a abertura do processo de impeachment?
Se depender da nossa vontade, que seja o mais rápido possível, para que essa crise acabe. Tenho uma expectativa boa, pois aconteceu por uma reação do [presidente da Câmara] Eduardo Cunha. As pré-condições não estão colocadas para um processo de impeachment, porque não tem nada contra a presidente. Não tem o Fiat Elba do Collor, um fato concreto. Setores muito importantes da sociedade estão se manifestando contra: juristas, CNBB, UNE…que acham um processo injusto e que coloca em risco a própria democracia. Acho que é o melhor período para o governo vencer esse processo. Tem um presidente da Câmara sem legitimidade nenhuma, um Congresso com um monte de deputado com problema [na Justiça]. Com que moral vão atingir a nossa presidente?

Como avalia a carta do Michel Temer?
Ridícula. O vice tem expectativa de cargo. Acho que ele se apequenou. Num primeiro momento me assustei, porque o PMDB sempre deu equilíbrio ao governo. Mas ele não ficou numa posição boa. Ela (Dilma) deve reunir a maioria, porque também não dá pra governar sem maioria. É o momento de “bater chapa”, ela pode se fortalecer nessa crise. Se eu fosse ela e tivesse 1/3 [dos deputados] mais um voto para impedir o impeachment só, eu pedia a conta e ia embora. Vai ficar mais três anos empurrando com a barriga? Tem que ter um diálogo e ter maioria no Congresso, pelo menos 50% mais um.

Como avalia o cenário eleitoral em Osasco e a possibilidade de uma candidatura do vereador Rogério Lins (PTN), que diz ter o sonho de ser prefeito?
Acho que ninguém pode ser candidato de si mesmo. Tenho sonho de ser prefeito e vou ser candidato? O que tem por trás de você? Tem um partido forte? Tem uma chapa de vereadores forte? Movimentos sociais junto? Algumas candidaturas colocadas são sonho pessoal. Eu não sou prefeito da minha cabeça, represento um projeto que vem mudando a cidade e tem muito apoio. A condição em que o partido [PT] se encontra atrapalha um pouco, mas são 20 partidos [na aliança], 400 candidatos a vereador, sindicatos, igrejas, muita gente dizendo “precisa continuar”. Claro que pode haver surpresas, mas uma eleição para prefeito é uma peneira fina. O Celso Giglio (PSDB) tem estatura para isso, tem liderança importante na cidade, mas não sei se tem condições legais e de saúde para ser candidato, mas seria o adversário mais forte.

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