Metalúrgicos de Osasco cobram agilidade em perícias e denunciam descaso ao INSS

1
Categoria se reuniu com representante do INSS no último dia 10 / Foto: Cristiane Alves

Demora de cinco meses para agendar perícias médicas, corte de benefícios de segurados com câncer e os percalços que tudo isso causa à vida dos trabalhadores e da sociedade. Estes foram alguns dos assuntos na pauta da reunião entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e o Gerente Executivo do INSS Osasco, Glauber Belúcio, no dia 10.

publicidade

A demora para marcação das perícias prejudica o trabalhador e a empresa. Há casos de trabalhador que passou por cirurgia e resolveu o problema de saúde sem conseguir passar pela primeira perícia. Aí começa outro problema: a empresa não aceita o trabalhador de volta. “Existe resistência da empresa em autorizar o retorno sem a perícia. Os RHs nem deixam passar com o médico da empresa”, alertou o diretor Everaldo dos Santos.

O atraso nas perícias impacta a concessão de diversos benefícios, incluindo auxílio-doença e também aposentadoria. Os problemas se agravam pelo aumento da demanda dos serviços, gerada, de um lado, pela crise econômica e, por outro, pelo medo dos prejuízos que podem provocar a reforma da Previdência pretendida pelo governo Michel Temer.

publicidade

De acordo com informações obtidas pelo Sindicato, outro empecilho para a agilidade nas perícias é o aumento nos pedidos de exonerações e aposentadorias por parte dos peritos. Nos nove municípios sobre jurisdição da Gerência, de 70 peritos restam apenas 30, distribuídos em Osasco, Cotia, Santana de Parnaíba, Barueri, por exemplo. Em Barueri, de cinco peritos, resta um. Por isso, o sindicato também vai articular uma luta para que haja mais concursos públicos para aumentar o quadro de pessoal.

INSS faz pente fino
Por outro lado, o INSS iniciou em setembro o pente fino nos benefícios de quem está afastado há mais de dois anos. Em setembro e outubro, mais de 20 mil segurados passaram pela avaliação e 80% deles tiveram o benefício cassado.

publicidade

Tanta agilidade em tão pouco tempo está relacionada com a sistemática criada pelo governo Temer, que inclui o pagamento de bônus de R$ 60 para cada perícia de reavaliação. “Para cortar benefícios tem uma estratégia, mas não para atender o segurado que nem passou por uma primeira perícia”, salienta o diretor Gilberto Almazan.

O sindicato também cobrou solução para casos como os dos metalúrgicos Meire Vieira e Maurício Monteiro da Silva, que ficaram sem benefício, apesar de doenças graves, como câncer, no caso de Maurício, que participou da reunião. O gerente regional se comprometeu em analisar e dar um retorno ao sindicato e aos trabalhadores.

Comentários