Morre José Ibrahim, um dos líderes da greve de 1968

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Sindicalista presidiu Sindicato dos Metalúrgicos na mobilização / Foto: Eduardo Metroviche
Sindicalista presidiu Sindicato dos Metalúrgicos na mobilização / Foto: Eduardo Metroviche

Morreu na madrugada de quarta para quinta-feira, 2, aos 66 anos, o sindicalista José Ibrahim, um dos líderes da histórica greve realizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco em 1968.
Ele morreu em casa, em Pinheiros, São Paulo, enquanto dormia. Até o fechamento desta edição, não haviam sido divulgados detalhes sobre a causa da morte. O enterro deve ser realizado no cemitério Bela Vista, em Osasco. O velório começou na noite de quinta na Assembleia Legislativa.

Considerada um marco na história do movimento sindical brasileiro, a paralisação foi uma das primeiras manifestações sociais durante a ditadura militar e reuniu milhares de trabalhadores, de empresas como Cobrasma, Braseixos, Barreto Keller e Lanoflex.
Na época, Ibrahim, então com 21 anos, era presidente do Sindicato. “Vivíamos arrocho salarial desde 1964 e não tínhamos liberdade sindical”, lembrou, em entrevista ao Visão Oeste, em 2008.

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Após a greve, violentamente reprimida, dezenas de trabalhadores foram presos, torturados e banidos do país. Ibrahim foi demitido sem direitos, entrou na clandestinidade e foi para a luta armada, na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Detido, foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.

Após dez anos exilado em países da América Latina e na Bélgica, voltou ao Brasil em 1979, poucos meses antes da anistia. “Minha chegada foi linda. Tinha milhares de pessoas me esperando ao lado da casa da minha mãe, em Presidente Altino. No dia seguinte fui visitar o sindicato”, recordou, na mesma entrevista.

Ele avaliava que “a greve foi vitoriosa, não só do ponto de vista dos trabalhadores como politicamente contra a ditadura”.
“Ibrahim foi um líder político e social inato, de militância constante”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, Jorge Nazareno
Na militância política, Ibrahim foi um dos fundadores do PT, mas rompeu com o partido. Nos últimos anos, militava no PSD e era ligado à UGT.

Lideranças destacam “figura exemplar”

Lideranças sindicais e políticas divulgaram nota de pesar pela morte de José Ibrahim.
O prefeito de Osasco, Jorge Lapas declarou que “grande defensor da democracia, José Ibrahim é uma figura exemplar para o operariado brasileiro e, principalmente, aos militantes sindicais. Não só Osasco, mas o Brasil perdeu um grande cidadão.
Milton Cavalo, presidente do PDT Osasco, afirmou: “Perdemos um grande companheiro de lutas, que muito contribuiu com os trabalhadores e com o nosso país”.

Comentários

3 COMENTÁRIOS

  1. Bom, Ze Ibrahim foi meu irmão,amigo e companheiro e desde a época em que trabalhavamos na empresa Cobrasma estudamos no SENAI e quando na fabrica estavamos juntos até no mesmo barração, ele, como trabalhando na inspeção de qualidade e eu na manutenção. Participamos da greve e depois na VPR. Estivemos no Chile e estavamos preparando nossa volta para continuar a luta pela democrácia no Brasil e contra aqueles que usurparam o poder no Brasil através de um golpe civil militar que implantou a ditadura em nosso pais. No golpe no Chile meu amigo e companheiro se exilou na Bélgica, outros voltaram ao Brasil para continuar a nossa luta. Quando meu companheiro voltou ao Brasil eu estava preso e sendo julgado e tive uma enorme satisfação em ter a sua família presente no meu julgamento, vez que ainda estavamos no período da Ditadura. Meu amigo sinto sua falta e é uma pena que tenha partido, mas posso afirmar que nossa luta continua e sempre voce estará na lembrança da classe trabalhadora do Brasi. Adeus meu amigo, companheiro e camarada de luta por um Brasil no qual sempre sonhamos, com liberdade, igualdade e fraternidade. Abraços.

  2. “Contra o pessimismo da razão o otimismo da prática” (A. Gramsci).
    As bandeiras de luta por uma sociedade justa e democrática continuam tremulando e nelas a figura de José Ibraim estará, para sempre,estampada.
    Gabriel Figueiredo

  3. " Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis"
    (Bertold Brecht)
    Creio que esta honraria pode ser dada ao Zé Ibrahim

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