Mudança de rota?

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), em manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano surpreendeu grande parte dos economistas e pode significar uma mudança de rota na política econômica do governo Dilma Rousseff. Desde a reeleição o BC adotou o aperto na política monetária, com a justificativa de combate à inflação.
No primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a tentativa de realizar um ajuste de natureza neoliberal resultou no fechamento de 1,5 milhão de vagas de emprego com carteira assinada, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter encolhido algo em torno de 2,5%. Claro que outros fatores externos também contribuem para a atual crise, sobretudo a grande queda no preço do petróleo e a desaceleração chinesa.

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Ao sair do mais do mesmo, Copom acende a luz no fim do túnel

Enquanto o mercado esperava mais uma alta de 0,5 ponto na taxa Selic, o presidente do BC, Alexandre Tombini, utilizou-se de uma previsão feita pelo FMI segundo a qual a economia brasileira deve encolher mais 3,5% este ano, para forçar uma inflexão na alta do juro. O modo como Tombini agiu passou a ideia – extremamente rejeitada pela escola neoliberal – de que houve interferência política na decisão do BC.
Para os representantes da economia real, no entanto, a decisão do Copom foi bem vista. Centrais sindicais, como a CUT e Força Sindical, pedem a redução da taxa de juros como medida necessária para a retomada do crescimento e geração de empregos. Argumentam que a inflação de 2015 foi gerada principalmente pelo aumento dos preços administrados (combustíveis, energia) e, por isso, mais aumento de juro não se justifica.
O BC parece ter entendido o recado do governo, que precisa dar uma resposta à sociedade aflita com o fantasma do desemprego. A equação não é fácil de resolver e o cenário externo e político não é favorável. Mas, ao sair do mais do mesmo, o Copom acende a luz no fim do túnel.

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