O combate à violência deve ser constante

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Há duas semanas, a sociedade brasileira viu-se confrontada com uma estatística alarmante da tolerância de parcela significativa das pessoas à prática da violência sexual às mulheres pelo simples fato de usarem roupas que essa parcela consideraria impróprias ou provocativas. A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, que erroneamente divulgou, num primeiro momento, que 65% dos brasileiros acham que as mulheres merecem ser atacadas por causa do jeito de se vestir.

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É abominável que alguém considere a violência sexual justificável

O dado depois foi corrigido, mas ainda assim mostrou um diagnóstico preocupante: em média, uma em cada quatro pessoas realmente vê merecimento da vítima em casos de estupro. O primeiro número, claro, gerou uma comoção nacional e mobilização de movimentos nas redes sociais e nas ruas. “Não mereço ser estuprada” é a frase que vem marcando as manifestações.

Mas a revisão do número não pode justificar o esmorecimento da luta em defesa da mulher. Não obstante à correção dos dados, é abominável sob qualquer ótica que qualquer fração da população (ainda mais uma tão expressiva, de 26%) sequer considere a prática da violência sexual – ou outra forma de violência – como justificável. Segundo o Ipea, inclusive, estava correto o dado que revelou que 58% dos entrevistados concordaram com a frase: “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”.

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A banalização da violência de gênero (assim como de etnia e classe social) é um passo tenebroso e gigante em direção ao abismo da discriminação e do aprofundamento de todos os tipos de desigualdade. Mas é, sobretudo, uma demonstração de selvageria, subdesenvolvimento, falta de cultura e educação. Por isso, qualquer que seja o dado estatístico, a vigilância e o combate à violência devem ser permanentes.

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