O fim da chantagem

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Ao acatar o andamento do processo visando o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), claramente o fez com um viés de vingança. Afinal, o partido do governo, o PT, já havia acenado que não o apoiaria no Conselho de Ética, onde pesa sobre ele a ameaça do processo de cassação depois das denúncias de envolvimento na Lava Jato e existência de contas no exterior.

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Não há como negar o benefício de destravar a pauta do país

Do ponto de vista político e moral, é realmente estarrecedor que a decisão sobre a possibilidade de iniciar um processo visando tirar do cargo uma presidente da República eleita pelo voto esteja sob a responsabilidade de um parlamentar sobre o qual pesam pesadas acusações, embasadas em farta documentação. Uma presidente que, diga-se, ainda que possa ser culpada por uma articulação política terrivelmente problemática, até o momento não foi denunciada por uma irregularidade ou apontada como participante de algum esquema ilícito.
Por outro lado, não há como negar o benefício de destravar a pauta do país. O fim da chantagem. O impasse gerado pela troca de ameaças, durante tempo demais, fez apenas acirrar pré-julgamentos e aprofundar o clima de incerteza jurídica, política e econômica, prestando um desserviço para o país. Com a sequência de ambos os processos, teremos agora a oportunidade de ver qual tese verdadeiramente se sustenta e, mais ainda, estabelecer quais atores sociais estão colocando seus anseios políticos à frente dos interesses do país. Quem sabe agora tenhamos, por fim, a oportunidade de superar essa etapa e voltar a nos preocuparmos com a retomada do crescimento.

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