O perigoso canto das sereias contra os trabalhadores

O perigoso canto das sereias contra os trabalhadores

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Jorge Nazareno é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e membro do CDES
Jorge Nazareno é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e membro do CDES

Na mitologia grega, o canto das sereias já fez muita embarcação naufragar em plena jornada mar afora. Não é algo muito diferente o que a CNI (Confederação Nacional da Indústria) busca com os 42 estudos e recomendações entregues aos candidatos à presidência, em 30 de julho.

Os cadernos incluem antigos e atuais projetos do empresariado, entre eles, o ideal de manter a “competitividade” da indústria nacional. Defendem que “a modernização e desburocratização das relações do trabalho são fundamentais para o estímulo à competitividade das empresas, para o aumento da produtividade e o crescimento, com equilíbrio social”.

À primeira vista, falar em “modernização” e em “desburocratização” parece bom. Realmente, precisamos modernizar a forma como muitos empresários ainda hoje veem as relações trabalhistas. Mas, certamente, não é o caminho da flexibilização de direitos que vai nos permitir chegar a esse patamar.

O caminho é o diálogo, que tem de ser feito entre trabalhadores, governo e empresários, nos fóruns tripartites. Mas, não é o que temos visto nas últimas colocações da CNI, que veio à imprensa recentemente manifestar suas propostas, mas sem em nenhum momento colocar o trabalhador como parte na discussão. O país avançou muito nos últimos dez anos, justamente porque o diálogo social foi colocado como premissa e o trabalhador, reconhecido como ator social. E não vamos concordar que o contrário retorne.

Precisamos dialogar em favor de uma agenda em prol do Brasil. Alguns pontos chaves dessa agenda são: 1) as linhas gerais para um “Estado necessário”, mais proativo e capaz de garantir a necessária infraestrutura nacional; 2) as políticas de investimento em Educação, contemplando o Enem, Prouni e a valorização da educação técnica e tecnológica; 3) a ratificação das Convenções 158 que trata da garantia do Emprego; 4) Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, acabar com o fator previdenciário e instituir a organização no local de trabalho; 5) fazer a reforma política.

Nós, que sempre aprendemos através do diálogo e da participação, a construir as melhores alternativas para as nossas categorias profissionais sabemos que um futuro melhor para o Brasil deverá seguir através do exercício cotidiano da participação social.

 

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