Ocupação aumenta cinco vezes em uma semana

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A todo momento, novas famílias montam barracos / Foto: Eduardo Metroviche
A todo momento, novas famílias montam barracos / Foto: Eduardo Metroviche

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Leandro Conceição

Em Osasco, uma ocupação iniciada há uma semana, da noite de sexta, 23, para sábado, não para de crescer, em um grande terreno privado no Jardim Santa Fé, periferia da cidade. Organizada pelo Movimento Luta Popular (MLP), a ocupação Esperança começou com aproximadamente 100 famílias e já tem cerca de 500, estimam os líderes.

“A gente tem que se unir e lutar”, diz ocupante

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A toda hora chegam novos moradores, carregando lonas, sacos plásticos, madeira e ferramentas para montar as barracas improvisadas. “Com a consolidação da ocupação, foram vindo outras famílias que também têm dificuldades de pagar aluguel ou moram de favor, para somar nessa luta”, afirma a advogada Irene Maestro, do MLP.

“Um vai falando para o outro [sobre a ocupação]. Todo mundo está aqui porque não tem onde morar”, diz a dona de casa Anézia Rodrigues de Souza.
Rita de Cássia Silva, que está desempregada e tem dois filhos, chegou à ocupação fugindo do aluguel, pois é cada vez mais difícil de pagar R$ 400 por mês por uma casa no Jardim Aliança com o salário do marido, ajudante de pedreiro. “A gente tem que lutar por nossos direitos”.

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Cotidiano
Quem chega recebe das lideranças as orientações sobre a ocupação, o movimento, onde montar as barracas e as regras locais, como não entrar em áreas de preservação ambiental e respeitar os espaços coletivos, explica Irene.
Todos os dias são realizadas duas assembleias para debater a mobilização. Expulsões ocorrem em casos de descumprimento das regras ou descoberta de que o ocupante já tem moradia própria, de acordo com o estudante de direito Danilo Firmino, da organização do movimento.

Os grupos dividem as tarefas em uma cozinha coletiva. Uma fossa cercada por madeira serve como banheiro. Banhos são tomados nas casas alugadas, de parentes e de apoiadores do movimento. “Não é fácil, mas a gente tem que se unir e lutar, senão, não sai nada, a gente não vence”, afirma a dona de casa Isabel Cristina Queiroz, que está no local com o marido.

“Eles não podem furar a fila”

O Movimento Luta Popular afirma que a ocupação Esperança, no Jd. Santa Fé, visa pressionar a Prefeitura por moradias e por políticas habitacionais. No entanto, o secretário de Habitação de Osasco, Sérgio Gonçalves, afirma que os membros da ocupação “não podem furar a fila”.
“Não podemos pegar uma área para atender famílias que acabaram de ocupar, sendo que temos outras famílias na fila aguardando”, declara.
Ele afirma que a Prefeitura tem diversos projetos para que até 2016 sejam construídas cerca de 5 mil unidades habitacionais no município.“Além disso, nos últimos anos, Osasco teve mais de 5 mil moradias construídas e 15 mil famílias atendidas em projetos de urbanização”.

“É um pedaço imenso de terra sem função social”

Irene Maestro, do MLP, justifica a ocupação ao terreno no Jardim Santa Fé: “Nunca teve nada aqui, está abandonado há muitos anos. É um pedaço imenso de terra sem cumprir função social”.
A advogada diz que participa do movimento “por acreditar que não dá para viver numa sociedade que tem terras desse tamanho e com um monte de gente sem ter onde morar. Para transformar isso, só lutando”.
O proprietário da área já entrou com ação na Justiça pedindo reintegração de posse, que pode ocorrer a qualquer momento.

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