Onda dos “rolezinhos” chega aos shoppings da região

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Shopping União deve receber "rolezinho" no sábado / Foto: reprodução
Shopping União deve receber “rolezinho” no sábado / Foto: reprodução

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A onda dos “rolezinhos”, eventos marcados pela internet que têm reunido centenas de jovens em shoppings, deve chegar neste fim de semana à região. O convite para um “rolezinho” marcado para a tarde de sábado, 25, no Shopping União, tinha a confirmação de presença de 184 usuários do Facebook até às 17h20 desta quarta-feira, 22.

O criador do evento diz querer “um role da hora, sem briga, sem arrastão”. A página sobre o rolezinho no União tem diversas críticas ao evento.

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Há pelo menos mais outras três tentativas de organização de “rolezinhos” no União, com adesão pequena até o momento. Os organizadores também pedem eventos “com disciplina e na paz… Pra fazer novas amizades e conhecer novas paqueras”.

A assessoria do shopping diz que a administração do empreendimento está “monitorando o assunto constantemente e todas as ações pertinentes serão tomadas, quando, e se, necessário”. Mas a nota não identifica quais as possíveis “ações pertinentes” a serem tomadas.

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Pelo menos por enquanto, a assessoria nega que o União vá adotar medidas como a tomada por shoppings da Capital, que entraram na Justiça para impedir os rolezinhos e conseguiram liminares que determinavam multa de R$ 10 mil a quem participasse do evento. Outros fecharam as portas nos horários dos possíveis “rolezinhos”.

Também há convite para “rolezinho” no Parque Shopping Barueri dia 1º de fevereiro, com pouca adesão. A assessoria diz que a administração não se pronunciará previamente sobre a questão. “O shopping vai se pronunciar através de nota caso o evento ocorra”.

Debate ideológico

Os “rolezinhos” reúnem, em sua maioria, jovens de comunidades carentes que gostam de funk ostentação e de roupas, calçados e outros itens de marcas consagradas, que dizem que os eventos visam reunir os amigos para se divertir.

A reação de shoppings, ao barrar na Justiça ou fechar as portas para os “rolezinhos”, e da Polícia Militar, que usou bombas de gás para dispersar jovens que participavam de um evento do tipo na zona Leste de São Paulo, geraram um debate ideológico sobre a questão.

“Rolezinho demonstra o paradoxo da elite brasileira”

Movimentos sociais e críticos à reação dos shoppings, da Justiça, que proibiu os eventos, e da PM chegam a falar em “segregação social”.

“Essa garotada que hoje tenta frequentar os shoppings nasceu na década de 1990, quando o discurso neoliberal já era hegemônico em nosso país. Cresceram ouvindo que política é ruim e que o sucesso é uma conquista individual”, analisa artigo assinado pelos professores Wagner Iglecias e Rafael AlcadipaniComprados o tênis de marca, o relógio da moda, o celular de última geração, o rolezinho no shopping é o top da ostentação dos que vem de baixo, da base da pirâmide social. E ai encontram o que? As portas fechadas”, continua o texto.

“O rolezinho demonstra o paradoxo da elite brasileira, que por um lado quer crescimento econômico, mas por outro quer manter os de pele marrom confinados na senzala. A muralha que o ‘rolezinho’ escancarou é formada por uma Justiça muitas vezes conivente com a desigualdade social”.

“Temos que preservar a tranquilidade”, diz Associação dos Lojistas de Shopping

Já a Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop) nega a “segreação social” e justifica o combate aos “rolezinhos” alegando que a chegada de muitas de pessoas ao mesmo tempo nos centros comerciais compromete a segurança dos estabelecimentos.

“Se ocorre uma correria e um incidente mais sério, o shopping será processado porque não proporcionou segurança aos consumidores. Temos que preservar a tranquilidade”, disse o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun. “Shopping não é lugar para baile funk.”

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