Opinião: A pressão social e psicológica que as mulheres enfrentam para se tornarem mães

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Por Andréa Ladislau, doutora em psicanálise

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Pensando na pressão que as mulheres sofrem em determinados momentos da vida para casar – e em seguida ter filhos -, proponho uma reflexão sobre os impactos psicológicos que essa pressão acarreta. Somos educadas desde muito pequenas segundo alguns princípios e modelos tradicionais, e desde a infância nos ensinam o valor da maternidadeAs meninas vão crescendo com a ideia de que um dia terão que ser mães. Com a chegada da puberdade e suas alterações físicas, fica evidente que seu corpo está preparado para isso. Pelo menos, é o que se entende.

Dependendo do ambiente em que vivem, as mulheres podem sentir essa cobrança mesmo na adolescência e juventude – e desta forma fica evidente que com o passar dos anos a pressão só aumenta.

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No final dos vinte e começo dos trinta anos, esse tema se torna cada vez mais presente na vida delas. Algumas aceitam tudo isso com naturalidade porque já planejaram quando e como querem ser mães; outras se sentem pressionadas porque ainda não decidiram viver a experiência da maternidade.

Olhando mais a fundo estas questões, percebemos que não é uma realidade fácil, pois a grande verdade é que a sociedade acaba julgando essas mulheres, independente de suas decisões. E o que é ser mãe? Qual o sentido da maternidade? Normalmente a maternidade acaba sendo associada ao espírito de generosidade que a mulher possuí. Mas se ela não deseja ser mãe, pode ser rotulada como egoísta, sem levar em conta as características pessoais de cada mulher, que vão tomando suas decisões à medida que o tempo passa.

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É muito importante que seja respeitada a opinião e o desejo de cada uma, pois somos todos feitos de histórias – e nem todos temos as mesmas ambições. E mais do que isso, o instinto materno não é tão instintivo, não é algo que aparece primitivamente como a necessidade de comer ou dormir. Ele é um amor conquistado, é a construção de afiliação com uma pessoa e o desejo de criar laços.

Para ser mãe a mulher deve se sentir segura e não motivada pela pressão alheia. Criar um filho hoje é um ato de extrema responsabilidade. A maternidade nem sempre é um mar de rosas. É um compromisso para toda a vida. Deve-se ter essa consciência no momento de tomada da decisão.

Muitas mulheres optam por não encarar a maternidade, até que consigam uma realização profissional. Outras por possuírem algum histórico familiar inconcebível, não querem arriscar repetindo situações desastrosas. Podem também ter passado por algum problema de saúde que a impeçam de engravidar novamente. Seja qual for o motivo, temos que ter em mente que é um assunto íntimo e pessoal: cada um tem a sua história. Não julgue – e tente entender que ser mãe não é uma obrigação! Tenha empatia e saiba respeitar a opinião do outro, respeitando a privacidade e evitando perguntas desconcertantes sobre o assunto.

Na verdade, o que vemos é que a pressão que as novas mães enfrentam não tem nada a ver com a cobrança sobre as mulheres que decidiram não ter filhos, porque não querem ou porque não podem. As primeiras sentem a pressão sobre a maternidade e as outras sofrem a pressão e o questionamento social constante (e de forma massacradora), sem levar em conta seus desejos e suas vontades. E Aniquilando o querer desta mulher.

Arrisco até a dizer: obrigando-a a ouvir o chamado maternal sem respeitar a lei da vida, que deixa claro que esse chamado faz parte da essência de cada alma feminina. Ou seja, como as almas são distintas, o chamado pode vir ou não.

Enfim, precisamos entender que estamos sujeitos a pressões por todo lado, e não seria diferente no caso da maternidade. Mas entra, aqui, o nosso respeito a essas mulheres que podem, sim, optar por não ter filhos – seja pelo motivo que for. Cada um sabe de si e sabe de seu momento. Nossa bagagem de vida, nossos sonhos, desejos, medos e angústias falam por nós.

Desta forma, o importante é que a mulher se sinta em paz e comprometida com a sua decisão. Uma criança requer a consciência de que somos responsáveis por um ambiente de carinho, proteção, amor, acolhimento e cuidado. E a mulher, desejando ou não desejando ter um filho, deve ser respeitada em sua decisão e acolhida como todos os seres humanos.

Andréa Ladislau doutora em psicanálise
Dra. Andrea Ladislau é psicanalista, doutora em psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras, administradora hospitalar e professora

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