Opinião – Bornhausen, Alckmin e a “nova política”

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Por Altamiro Borges
Jornalista. Publicado originalmente no Blog do Miro

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“Tem gente que acha que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. A célebre frase – que lembra Joseph Goebbels, ministro do regime nazista de Adolf Hitler –, foi pronunciada na segunda-feira (22) por Marina Silva num evento com a comunidade judaica de São Paulo.

Dizendo-se vítima de calúnias, ela garantiu que “não concorda” com a frase. Mas não é o que parece. Durante vários anos, desde que saiu do Ministério do Meio Ambiente do governo Lula, a candidata-carona do PSB garante que representa a “nova política”. Em qualquer ocasião, ela repete o bordão. No entanto, para viabilizar sua ambição presidencial, Marina Silva tem se aliado exatamente a algumas das piores expressões da “velha política”.

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Nesta terça-feira, por exemplo, a candidata participou de um comício com famosas raposas políticas catarinenses. Segundo o Estadão, “Marina Silva dividiu palanque e pediu votos para o deputado Paulo Bornhausen, herdeiro de uma das mais tradicionais famílias de Santa Catarina.

‘Meus amigos, vamos fazer a campanha de Paulo, para que ele seja nosso senador’, afirmou. Candidato pelo PSB, Paulinho, como é conhecido, é filho do ex-senador Jorge Bornhausen, que foi governador biônico de Santa Catarina na época da ditadura. Um dos nomes fortes da Arena, partido que deu sustentação ao regime militar, Jorge fez carreira no antigo PFL e ficou no DEM até 2011, quando deixou a vida partidária”.

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O jornalão paulista – que não esconde sua simpatia pelo tucano Aécio Neves – lembra ainda que Jorge Bornhausen agourou, em 2005, que o país ficaria “livre da raça do PT pelos próximos 30 anos”. Na época, Marina Silva era filiada à sigla e ministra de Lula. Pouco depois, Jorge Bornhausen, desgastado e derrotado, passou o bastão da oligarquia ao seu filho.

Agora, Mariana Silva se uniu exatamente a esta “raça”. Durante o comício, ativistas ligados à União de Juventude Socialista (UJS) até fizeram um protesto. “Aqui em Santa Catarina ela [Marina] prega uma ‘nova política’, mas se junta com a maior oligarquia que ainda persiste em nosso Estado, que é a família Bornhausen”, explicou o estudante Yuri Becker.

As alianças com velhos direitistas revelam a farsa do discurso sobre a “nova política” – “uma mentira repetida mil vezes”. Elas ocorrem em todo o país. Em alguns Estados, a ex-verde até tentava disfarçar. Mas, diante da queda abrupta nas pesquisas, ela abandonou a fantasia.

Em sua coluna na Folha de terça-feira (23), Mônica Bergamo confirma que “Marina Silva autorizou que os ‘santinhos’ da campanha dela que serão distribuídos pelo PSB em São Paulo na reta final do primeiro turno incluam o nome do tucano Geraldo Alckmin como candidato ao governo. O primeiro lote do material não trazia o nome do governador. E foi rejeitado por Márcio França, do PSB… Depois da reclamação, os santinhos foram refeitos”.

Caso consiga chegar ao segundo turno, as alianças de Marina Silva serão ainda mais conservadoras. “A mentira repetida mil vezes” sobre a “nova política” ficará totalmente desmoralizada. Os demotucanos já anunciaram que apoiarão a ex-verde, lógico que com certas condições – como mais recuos no seu programa e acordos de bastidores para garantir a presença do PSDB e do DEM no Palácio do Planalto.

O próprio vice na sua chapa, deputado Beto Albuquerque, já anunciou que tentará acordos com velhas raposas do PMDB. “Aliados de Marina no PSB e PPS avaliam que, para chegar à Presidência, ela terá de demonstrar sua insuspeitada vocação para o diálogo”, informa o blogueiro Josias de Souza, da Folha.

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