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Opinião: Esquema de corrupção nas redes de Bolsonaro é uma bomba que pode mudar eleição

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Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Por Renato Rovai – jornalista. No Blog do Rovai

A Folha de S. Paulo de hoje traz reportagem que comprova que a campanha de Bolsonaro usou recursos ilegais de empresas para enviar textos e vídeos que podem ter mudado o resultado do primeiro turno das eleições. Também informa que já estariam contratados 12 milhões de reais em disparos (aproximadamente uns 200 milhões de disparos) que seriam utilizados na próxima semana para beneficiar o candidato do PSL e seus aliados nos estados.

O diretor do Datafolha, Mauro Paulino, escreveu em seu perfil do no Twitter:

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Ou seja, o esquema pode ter mudado a eleição no primeiro turno em vários estados e foi a base da campanha de Bolsonaro.
Desde o início da disputa que especialistas em marketing eleitoral buscam entender como se organiza fábrica de memes fakes que são espalhados por todos os cantos do país de maneira absurdamente rápida. pela campanha de Bolsonaro.

A partir dessa reportagem fica evidente que isso foi realizado de maneira sofisticada e com recursos ilegais que eram utilizados por dezenas e talvez centenas de empresários para bancar a ação em inúmeras empresas de disparos do ramo. Isso facilitava a distribuição e se tornava algo impossível de responder ou controlar.

O caso é gravíssimo e deveria implicar urgentemente numa ação do TSE contra os empresários que participaram do esquema. Eles teriam que ser presos imediatamente porque ainda podem cometer ilegalidades até o dia da eleição.

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Além disso, o TSE teria de abrir uma investigação urgente para verificar que candidatos podem ter sido beneficiados e puni-los. Ou seja, cassando suas candidaturas, abrindo novo prazo para as disputas e chamando os terceiros colocados para as disputas estaduais.

Os senadores e deputados eleitos a partir deste esquema também deveriam ter imediatamente seus votos impugnados. Aliás, talvez a imensa votação de alguns espantalhos políticos se explique a partir dessa ação corrupta.

Só uma atitude urgente e rápida da justiça recolocaria seriedade ao processo democrático atual depois desta denúncia, mas provavelmente isso não vai ocorrer.

De qualquer forma, a candidatura Haddad precisa convocar urgentemente todos os que foram atingidos para conversar. Todos que perderam votos ou mandatos por conta desta ação precisam ser convidados a um diálogo urgente em defesa da democracia, independente a qual partido pertençam.

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Porque o método utilizado evidencia a forma como Bolsonaro agirá se porventura vier a ser eleito. Seu governo será o do esquemão, da perseguição e à revelia da lei.

Ele não respeitará qualquer regra.

E se isso não vier a ter efeito jurídico, tem que ter efeito político. Essa denuncia tem potencial para construir pontes com aqueles que estavam em dúvida sobre o que virá e pode criar um novo pacto político em defesa da democracia.

Haddad pode liderá-lo. Mas pode ser ainda mais inteligente se aceitar dividir a liderança deste movimento com outros líderes que foram atingidos pelo esquema, como Ciro Gomes e mesmo Alckmin e Marina. Além de tantas outras lideranças regionais.

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É hora de agir rapidamente em defesa da democracia e pela democracia. Surgiu uma oportunidade de ouro para virar o jogo, inclusive porque com a denuncia da Folha, a campanha de Bolsonaro terá de diminuir suas ações criminosas.

E só de isso acontecer, o eleitorado terá mais tranquilidade para decidir seu voto.

A eleição ganha um novo contorno a partir de agora. E a virada que era considerada impossível pode vir a ocorrer, mas isso depende da capacidade política dos que estão à frente do jogo.

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