Os crimes da ditadura militar contra os trabalhadores

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Nesta coluna tenho tentado divulgar direitos que são pouco conhecidos pelos trabalhadores. No entanto, peço licença para hoje mudar o foco, ante a três fatos que ocorreram nesta semana: a divulgação do Relatório da Comissão Nacional da Verdade (t.co/aH30tgQ41M); o grotesco ataque que uma trabalhadora, a deputada Maria do Rosário, sofreu de colega de trabalho, o repugnante deputado Bolsonaro (s.cut.org.br/1vOHRGE); e a divulgação do relatório do Senado dos EUA sobre a tortura rotineiramente aplicada por tal país.

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Para quem se esquece da história do Brasil e defende a volta da ditadura, destaco trechos do livro Infância Roubada – Crianças Atingidas Pela Ditadura Militar no Brasil:
“Botavam meu pai no pau de arara e para o fazerem falar simulavam me torturar com uma corda. Eu tinha 2 anos. Eu dizia: ‘“Não pode bater no papai. Não pode’” (Ernesto Dias do Nascimento). “Testemunhei o assassinato do meu pai. Não posso nem quero esquecer, porque a única lembrança que tenho dele é a da sua morte. Tinha 3 anos” (Ângela). No livro há também o relato de Cacá, que tinha 1 ano e 8 meses quando policiais invadiram sua casa. Levou um soco na boca, sangrou. Passou 15h em poder da repressão. Suicidou-se aos 40 anos.

E a todos os trabalhadores e trabalhadoras e ao movimento sindical, sugiro a leitura da parte do Relatório da CNV que trata da repressão contra a classe trabalhadora: t.co/GaW7zCNyox.
A ditatura infernizou os trabalhadores também de outros modos: retirou direitos (como a estabilidade no emprego); instituiu precarizações por leis espúrias (como o trabalho temporário); tentou destruir o movimento sindical autêntico (o que felizmente não conseguiu); e concentrou vergonhosamente a renda.
Concluo com trecho da “Canção dos tecelões”, feita por trabalhadores alemães no séc. XIX, e que trata da tortura (física ou moral) a que trabalhadores eram submetidos no local de trabalho (e muitos ainda são no Brasil):
“Neste lugar existe um tribunal / Muito pior que o secreto / Onde não há pronunciamento de sentença /Para tirar a vida rapidamente / Aqui se martiriza o ser humano / Aqui fica a sua câmara de torturas / Aqui os seus suspiros são contados / Como testemunhas da miséria”.

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Advogado e consultor de entidades sindicais; Diretor para Assuntos Legislativos da Associação Latino-Americana dos Advogados Laboralistas (ALAL).  max@advocaciagarcez.adv.br

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