Pandemia agrava problemas relacionados ao trabalho, alertam especialistas

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Pandemia agrava problemas relacionados ao trabalho, alertam especialistas
o assunto foi discutido no 41° Ciclo de Debates do Sindmetal / Foto: Freepik

Durante a pandemia de covid-19, o assédio moral tem ocorrido além dos locais de trabalho tradicionais e chegou à casa dos trabalhadores, por meio do teletrabalho. O alerta foi feito pela médica do trabalho Margarida Barreto durante o 41° Ciclo de Debates, promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, na quinta-feira (16).

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Margarida afirmou que assim como parte dos trabalhos foi para o ambiente virtual, o assédio moral também fez a mesma transição. “Neste momento de pandemia, talvez seja o momento que eu tenho escutado mais denúncias de pacientes. São histórias de humilhações no home office, de pessoas em web conferência ser humilhada pelo gestor: ‘você está se queixando do quê? Você está na sua casa, acorda e deita a hora que quer’. Ou seja, o desrespeito invade as casas”.

De acordo com a médica, a violência é cada vez mais sútil, de forma que o próprio trabalhador se sente culpado por não conseguir oferecer mais. “Por isso que o assédio moral é destrutivo, porque fere a alma”, explicou.

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O 41° Ciclo de Debates foi realizado na quinta-feira (16) / Foto: divulgação

A violência praticada na relação de trabalho, por meio do assédio moral, também foi mostrada no vídeo “Basta!”. Lançado na abertura do Ciclo, ele mostrou trajetória de luta dos metalúrgicos de Osasco e região contra os acidentes no local de trabalho. Cenas que puxaram memórias de momentos que Fernanda Giannasi, ex-auditora fiscal do trabalho, compartilhou.

“Todo dia a gente tinha acidente. Todo dia a gente tentava atender imediatamente aquelas ações. Não é possível que um acidente seja investigado depois de dois anos, porque nem as testemunhas estão mais ali, os documentos já sumiram”, criticou Fernanda no evento.

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Sindicato divulga perfil de acidentes de trabalho graves nas metalúrgicas

Os acidentes de trabalho causados por máquinas sem proteção predominaram entre os acidentes graves analisados pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região que levaram a amputação, entre os anos 2008 e 2018. Eles fizeram parte de 44,8% das ocorrências registradas no período.

De acordo com o estudo, mais da metade dos acidentados (54,3%) tem até 35 anos de idade. Amputações de dedos e mãos lideram as lesões (31,4%) causadas principalmente por máquinas sem proteção (44,8%).

As informações fazem parte de estudo feito pela entidade, que foi divulgado durante o evento. No 41 ° Ciclo de Debates, os especialistas discutiram ainda esses dados e os impactos dos acidentes e doenças de trabalho, bem como a importância da cultura de prevenção.

Neste ano, o Ciclo de Debates do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região contou com os formatos remoto, pelo aplicativo Zoom, e presencial, respeitando as recomendações sanitárias. Também teve transmissão ao vivo, que está disponível na página do Sindmetal no Facebook.

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