Para Prascidelli, reformas só saem com pressão sobre o Congresso Nacional

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O deputado eleito com Dilma Rousseff na semana passada / Foto: Reprodução

O deputado eleito com Dilma Rousseff na semana passada / Foto: Reprodução
O deputado eleito com Dilma Rousseff na semana passada / Foto: Reprodução

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Eleito deputado federal com 84.419 votos, o vice-prefeito de Osasco, Valmir Prascidelli (PT), ainda se preprara para assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados, mas já tem participado em Brasília das discussões em torno da eleição do próximo presidente da Casa, que acontece em fevereiro. Ele participou de reunião da bancada na semana passada e encontro com a presidente Dilma Rousseff e, nesta quinta-feira, 13, de nova reunião da bancada e com ministros para discutir o assunto. (leia mais na página 4).
Ele falou ao Visão Oeste também sobre o resultado das eleições e disse que as reformas que o Brasil precisa só serão feitas com pressão popular. “O Congresso que vai entrar representa menos o interesse dos trabalhadores e da população mais pobre, então não podemos ter a ilusão de que sem pressão popular o Congresso fará avanços”, afirmou.

Como estão as negociações em torno da eleição do próximo presidente da Câmara. O peemedebista Eduardo Cunha lançou candidatura, mas seria uma oposição ao governo.
O PT deve lançar um candidato pelo respeito à regra que existe na Casa de que a maior bancada indica o candidato e nós temos um acordo com o PMDB de rodízio na condução da Casa. Fizemos uma reflexão nesse sentido. Temos uma compreensão bastante clara da independência do Legislativo, do seu papel político inclusive de mudanças que a população exige que sejam feitas, mas não podemos ter à frente do Legislativo alguém que trabalhe de forma a impedir que as políticas que possibilitem avanços na economia, na inclusão social e no cresicmento do país sejam tratados partidariamente. Isso não permitiremos. Vamos fazer a disputa considerando a independência dos poderes, mas considerando o reflexo das urnas e, portanto, da vontade da população.

“O PT não pode se distanciar dos movimentos sociais”

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Quais são os nomes que o PT pode lançar?
Temos uma discussão na bancada do PT de possibilitar que sempre surgam novas lideranças que ocupem os espaços de coordenação no Legislativo. Agora, é o momento que precisamos considerar a unidade do Congresso, o que os outros partidos da base têm de opinião. Os dois nomes mais fortes são o Marco Maia (RS) e o Arlindo Chinaglia (SP), que já foram presidentes da Casa. (Nesta quinta, 13, Marco Maia desistiu da disputa. Leia na página 4). Há outros cenários. Uma possibilidade é pensar um nome de Minas Gerais, estado onde ganhamos a eleição. Podemos também pensar em um deputado do Norte e Nordeste.

Como vê o resultado da eleição no estado de São Paulo e em Osasco, com derrotas do PT?
O cenário em São Paulo não corresponde ao cenário do país inteiro. Nós continuamos a ser o partido mais votado para o Legislativo, elegemos o maior número de deputados federais, ampliamos o nosso número de deputados estaduais, elegemos três governadores no primeiro turno, mais dois no segundo turno. A presidenta Dilma ganhou na maioria dos estados. Ganhamos na região Sudeste em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Começou uma onda conservadora nas redes sociais contra os nordestinos incorreta, sobretudo porque ganhamos em MG e Rio. Houve um crescimento no último período no estado de São Paulo mesmo com um jogo desleal feito por parte da mídia e um jogo rasteiro feito nas redes sociais. Apesar do Aécio [Neves] dizer que fizemos uma campanha suja, na verdade eles que fomentaram uma campanha nesse sentido durante todo o tempo e principalmente na reta final. Mesmo assim tivemos um resultado positivo. Agora, vamos evidentemente ter que fazer as reflexões dos nossos erros, dos enfrentamentos políticos que não fizemos. Acho que o PT deixou de expor as suas posições ao longo do tempo, foi aceitando as acusações de forma tímida e precisamos ter uma atuação mais aguerrida no próximo período.

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Como o partido deve reagir na sua opinião?
O PT tem que reagir tendo clareza de que há uma luta de classes e uma luta política estabelecida contra o partido. Um partido que surgiu como o PT, da organização popular num período de ditadura militar, tendo seu crescimento nos movimentos sociais e sindical, chegou à Presidência da República em menos de 30 anos de existência, teve 12 anos de governo e foi eleito para completar 16, fazendo mudanças estruturantes no país. Conseguimos tirar milhões de pessoas da linha da pobreza, incluir milhões na chamada sociedade de consumo. Mas isso fez com que essas pessoas também exigissem novas mudanças. Esse questionamento veio antes do que nós esperávamos e nós precisamos acelerar essas transformações. O PT precisa ser um partido que não se distancie dos movimentos sociais e ajude nas reivindicações sociais mesmo quando somos governo. Enfrentar o debate inclusive da ética, porque não temos nenhum problema de enfrentar o debate da ética. A diferença é que não escondemos pra debaixo do tapete aquilo que acontece na máquina estatal, ao contrário do que é feito nos governos do PSDB, principalmente aqui em São Paulo.

Como vê o debate da regulamentação da mídia e distribuição das verbas publicitárias?
O estado tem o poder concedente de várias coisas: das comunicações, da aviação, da energia elétrica, do petróleo. Para os outros setores nós criamos instrumentos de controle. Por que não podemos criar instrumento de controle econômico (ressaltou a palavra “econômico”) na mídia? Se podemos impedir os monopólios e oligopólios em diversos setores da economia, por que não podemos fazer isso também nos meios de comunicação? Esse debate precisa ser feito de forma transparente. Também há que se criar as regras para o direito de resposta.

E que tipo de de reforma política defende?
Defendo que o PT possa fazer um debate e apresentar um projeto de reforma política. O PT já tem aprovado algumas questões, mas precisamos apresentar um projeto global. Um setor da sociedade defende o plebiscito para convocar uma constituinte exclusiva e soberana e eu tenho participado dessa luta.

“O partido foi aceitando as acusações”

É a favor do fim do financiamento empresarial de campanha?
Sou a favor do financiamento público de campanha. Veja, mesmo se considerar só o financiamento de pessoas físicas há que se ter regras para isso. Alguns empresários que estão no topo da lista das fortunas pessoais teriam condições de bancar algumas companhas pessoalmente. Então, sou a favor do financiamento público, porque fica muito mais oneroso para o Estado aquelas pessoas que são eleitas tendo compromisso com setores econômicos do que colocar recurso para que a regra de gastos da eleição seja rigorosa e dê condição de igualdade aos candidatos.

Como pensar nessas reformas com um Congresso eleito tão conservador?
Nenhum debate terá sucesso no sentido de avanços se não houver mobilização popular. O Congresso vai se movimentar mais para a direita ou mais para a esquerda, para avanços ou retrocessos, se tiver a participação social, senão continuaremos nesse imobilismo. O Congresso que vai entrar representa menos o interesse dos trabalhadores e da população mais pobre, então não podemos ter a ilusão de que sem pressão popular o Congresso fará avanços.

Como vê o cenário para a eleição municipal em Osasco? Sofrerá influência dessa eleição?
Acho que na cidade você pode ter um olhar negativo e também uma avaliação positiva. Nós elegemos um deputado estadual e um deputado federal. Fomos o único partido que fez isso. Tivemos uma boa votação. Vamos preparar o partido para 2016, tem muitas obras que vão acontecer na cidade, muitas ações. E eu quero ter um mandato em bastante sintonia com isso.

O que o eleitor pode esperar do seu mandato?
O único compromisso que tive em toda a campanha é que vou trabalhar muito para cumprir o meu papel e fazer jus ao voto que tive. Não tenho ilusão de que possa ser o salvador da pátria, mas tenho expectativa de cumprir o meu papel enquanto legislador. Ajudar nos debates dos grandes temas nacionais, ajudar na votação dos projetos que possam mudar a vida dos brasileiros e em especial na nossa cidade de Osasco, ajudar no relacionamento com os movimentos sociais, ajudar o prefeito Jorge Lapas na busca de recursos com o governo federal.

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