Para Renata Abreu, Alvaro Dias vai tirar votos de Bolsonaro

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Renata Abreu

A deputada federal Renata Abreu lança na noite desta sexta-feira (17), em Osasco, sua campanha à reeleição como deputada federal.

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No primeiro mandato, ela conciliou o trabalho legislativo com a presidência do Podemos, partido que mais cresceu no país nos últimos anos e elegeu na região os prefeitos de Osasco, Rogério Lins, e Itapevi, Igor Soares.

Agora, Renata Abreu busca a reeleição para consolidar sua força no cenário político nacional e aposta no crescimento da candidatura de Alvaro Dias à presidência. Para a deputada, o candidato do Podemos, ex-governador do Paraná, é o que tem maior potencial de crescimento e vai tirar votos de Jair Bolsonaro (PSL).

“O voto do Bolsonaro desidratando, migra para o Alvaro Dias. O segundo voto nas pesquisas do Bolsonaro é do Alvaro”, avalia Renata Abreu.

Ela também critica a insistência do PT em manter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato. “Não tem candidato, ele está preso. O PT quer usar a imagem dele para fortalecer um candidato do PT”.

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Renata Abreu visitou a redação do Visão Oeste e concedeu entrevista na qual fala de projetos e do cenário político nacional. Confira:

Visão Oeste: Qual o balanço de seu primeiro mandato como deputada federal e que propostas vai defender caso seja reeleita?

Renata Abreu: Peguei uma Legislatura, no primeiro mandato, a mais histórica do país. Foi um impeachment [da ex-presidente Dilma Rousseff], duas denúncias, uma cassação de presidente da Casa [Eduardo Cunha – PMDB/RJ)… Foi um momento muito turbulento do país.
Mas, com relação ao meu mandato, tive a percepção, o trabalho, de deixar com que as pessoas decidissem comigo.
Então, essas principais decisões do país, quem decidiu meu voto foi a população, principalmente por meio do nosso aplicativo, do Podemos, votando, decidindo. Fiz isso inclusive para tentar resgatar nas pessoas uma esperança, uma aproximação do eleitor com o seu representante. Os brasileiros estão cansados de dar um cheque em branco para os governantes e ficarem quatro anos sem contato, sem serem ouvidos. Então, criei esse mecanismo de deixar com que as pessoas participem do meu mandato.
Também criei um blog, que é o Diário de Uma Deputada Federal, contando o dia a dia, os bastidores, porque eu escolhi votar de um jeito e não de outro, para dar mais transparência ao mandato.
Como dirigente partidária o trabalho cresceu bastante. Hoje somos 18 deputados [federais] e cinco senadores.
Minha principal pauta é a questão da educação política e cidadã nas escolas. Foi uma luta que eu travei lá em Brasília, consegui votar em plenário duas vezes o projeto, mas não imaginava que quase todos os partidos seriam contrários. Foi uma surpresa para mim não quererem educar politicamente o nosso povo. Mas também eu entendi que é um desafio que eu vou continuar a partir de 2019, e com uma bancada muito maior, com uma força partidária muito maior. Não vou desistir enquanto não aprovarem esse projeto.

É uma discussão complexa. Como funcionaria esse projeto?

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Não é você colocar ideologia nas escolas. O projeto é educação cidadã e política nas escolas. É incluir cidadania, direitos básicos, deveres, o que faz um deputado estadual, um deputado federal, como funciona o sistema político. Não é tratar de ideologia, mas do funcionamento do sistema político.
Primeiros socorros também. Hoje, nos Estados Unidos, uma criança de sete, oito anos, sabe dar um primeiro atendimento. Se os nossos cidadãos tivessem isso na escola, quantas vidas seriam salvas?
Também matemática financeira… Enfim, são matérias que visam formar cidadãos conscientes e não alunos preparados apenas para o vestibular. É importante rever o currículo básico da educação brasileira, o que é ensinado nas escolas, e uma reflexão de que tipo de geração nós queremos formar no país.
Então, a educação cidadã e política é isso. Não se trata de ideologia, mas de educação para a vida.

Ao longo de seu mandato houve uma grande aproximação sua com a região, principalmente com as eleições dos prefeitos de Osasco, Rogério Lins, e Itapevi, Igor Soares, pelo Podemos. Como se deu essa aproximação com a região e como lida com as críticas de rivais locais que a chamam de “forasteira”?

Tenho um carinho muito grande pela região. O papel do deputado federal é muito maior. É cuidar das leis nacionais, ter uma representação do estado nas causas nacionais. Às vezes o pessoal cobra a presença do deputado muito como vereador, e não é. O papel do deputado tem uma amplitude.
Aqui em Osasco, tenho uma história muito grande. Meu pai [José de Abreu] foi candidato a prefeito em Osasco. Eu morei em Osasco. Então, é um carinho muito grande que a gente tem pela cidade. Então, você vê… Não sou de Osasco, é verdade; não sou de Itapevi; mas sou a deputada que mais mandou recursos para a região.
O que você precisa na política é ter um relacionamento com os prefeitos, com os vereadores, no qual você atenda ao telefone, tenha a sensibilidade de entender os problemas da região e trabalhar para ajudar. E é isso que a gente tem feito.

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Para Renata Abreu, Alvaro Dias vai tirar votos de Bolsonaro

Para Renata Abreu, Alvaro Dias vai tirar votos de Bolsonaro

“O voto do Bolsonaro desidratando, migra para o Alvaro Dias. É o candidato com o maior potencial de crescimento”, afirma Renata Abreu, que lança sua campanha à reeleição como deputada federal nesta sexta-feira (17), em Osasco. Leia a entrevista completa: https://www.visaooeste.com.br/para-renata-abreu-alvaro-dias-vai-tirar-votos-de-bolsonaro/

Publicado por Jornal Visão Oeste em Sexta, 17 de agosto de 2018

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Junto ao primeiro mandato de deputada, como foi o processo de conduzir, como presidente nacional, seu partido a ser o que mais cresceu nos últimos anos no país?

Na vida você tem que entender o momento de cada coisa. Com a [Operação] Lava Jato, houve uma grande crise institucional e política, principalmente nas grandes siglas. E se você não mostra uma alternativa, gera um sentimento que estamos vendo que é o jovem indo para a rua pedir ditadura militar, porque ele não vê outro caminho. Então, como presidente do partido, entendo como responsabilidade oferecer canais alternativos para que a população volte a acreditar [na política]. E as pessoas estão cansadas de discurso, elas querem atitudes, não acreditam mais em promessas.
Então, você precisa ter atitude. E o Podemos desenhou um conjunto de atitudes, como desfiliar dois ministros, deputados nossos, que aceitaram ser ministros [do governo Temer: Alexandre Baldy e Ronaldo Fonseca]. E o partido desfiliou, mostrou para a população: ‘olha, nosso partido não aceita ministérios porque não concordamos com essa política de barganha’.
E hoje, com um trabalho de corpo a corpo. O Podemos foi um projeto de dois anos de estudo, não foi apenas uma mudança de nome [do antigo PTN]. Tiveram cientistas políticos, consultores de fora do país até, entendendo esse novo momento, essa nova sociedade, que não se mobiliza mais entre direita e esquerda, mas se mobiliza em causas, dinâmicas, que se movimentam o tempo todo. Então, criar esse movimento e apresentar essa alternativa para o país eu encarei como uma responsabilidade.

Por que votou a favor da reforma trabalhista e como avalia os resultados da reforma hoje?

A reforma trabalhista era uma pauta que na minha campanha eu já defendia.

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Dessa forma como ela foi colocada?

Dessa forma. Divulgaram muito questões massacrando a reforma trabalhista. Eu pergunto: que direito ela tirou do trabalhador? Ela não tirou direito nenhum. Ela acabou com o imposto sindical, que os trabalhadores queriam. Ela flexibilizou regras de trabalho de um novo momento em que vivemos. É uma nova realidade de trabalho, que exige uma flexibilidade.
Muito da minha vontade de ser deputada federal, quando eu fui estudar Direito, foi meu curso de Direito Trabalhista… porque eu falava ‘gente, isso é do século de Ford, é outra realidade de trabalho’. Então, precisava ver o que estava acontecendo. Mudou a sociedade, mas a lei ainda era estagnada. E muitos advogados usavam disso para ir para a Justiça mentir descaradamente. Era muita irresponsabilidade e o que isso gera como consequência? As empresas saem daqui, diminui o emprego, investem em automação para tirar o funcionário. Era isso que estava acontecendo.
É claro que você não pode jamais aceitar trabalho escravo, abuso, isso jamais. E com a reforma trabalhista não foi isso que se colocou.

E sobre a reforma da Previdência, em um novo mandato defenderia essa pauta?

A reforma da Previdência é importante para o país, sem dúvidas. A pirâmide etária do país mudou. Ou as pessoas vão negar que o brasileiro está vivendo mais e tendo menos filhos? Então, se não houver uma reforma da Previdência, nossos filhos não vão conseguir se aposentar.
Agora, a reforma da Previdência precisa ser feita levando em conta as desigualdades regionais, as desigualdades sociais e as peculiaridades de cada trabalhador. Um trabalhador que trabalha na cana lá no Nordeste não é o mesmo que trabalha no escritório com ar-condicionado em São Paulo. Não pode ser tratado igual, a realidade é diferente. É uma reforma super complexa que não pode ser feita a toque de caixa e sem a participação da sociedade civil.

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E o governo Temer vinha fazendo isso?

Não, por isso eu era contrária. Sou a favor da reforma da Previdência, mas feita da forma correta. Por exemplo, um policial se aposentar com 65 anos… de que forma ele vai nos proteger na rua, com 65 anos? Entende que é diferente? Precisa ouvir a sociedade.

E como avalia o governo Temer?

A população já avalia, não preciso falar mais nada. Muitos erros. Esse balcão de negócios precisa parar, não dá para continuar desse jeito.

A senhora defende a descentralização da verba pública e a revisão do pacto federativo. Por que defende isso e como funcionaria o modelo que defende?

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Isso se você conversar com todos os prefeitos vai ver que é extremamente necessário. Quem sabe as prioridades de cada cidade? É o prefeito, é o município. O que aconteceu no Brasil é que se concentrou um recurso muito forte na União. Essa concentração exacerbada e, depois disso, diversos desmembramentos da lei dando obrigações às prefeituras, sem dar a contrapartida financeira, gerou para os municípios um déficit gigante.
Então, hoje os municípios estão quebrados, têm muita dificuldade em fazer os investimentos para atender a população e é necessária uma descentralização do recurso federal. Por que isso não acontece mesmo com todos os deputados, presidente da República, prefeitos, sabendo que é essencial? Porque, obviamente, ninguém quer abrir mão de poder. Então, o presidente não tem interesse em abrir mão da concentração de recursos gerada e aí ele pode fazer as barganhas que julga necessárias.
Precisa ter um presidente com coragem para enfrentar isso.

E essa é uma pauta do Alvaro Dias?

Sem dúvida.

Alvaro Dias tem hoje em torno de 4% das intenções de voto à presidência. Como avalia esse desempenho até o momento e o que pretendem fazer para ele decolar?

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Hoje ele está tecnicamente empatado com o ex-governador Geraldo Alckmin. Então, o índice dele é muito bom, porque o Geraldo era governador até pouco tempo no maior estado do país e já foi candidato à presidência da República, o Alvaro não. Então, é surpreendente o número dele? É. E por que ele tem esse índice? Porque quem conhece ele vota nele, em primeiro lugar. O Sul se uniu em torno de Alvaro Dias. Quem conhece sua história, sua trajetória… é um homem que está preparado, que tem experiência e é limpo.
O que eu entendo? Que a população brasileira vai fazer a reflexão. Estou andando nas ruas e estou sentindo que as pessoas estão mais preocupadas com política.
O Bolsonaro é o retrato do ódio das pessoas à política, mas também os brasileiros não vão entregar o país nas mãos de alguém sem experiência, de um ‘mágico’ que chega e diz: ‘eu vou resolver agora todos os problemas do Brasil’”. Ele vai ouvir os debates, ele vai prestar atenção. E aí entendo que, o voto do Bolsonaro desidratando, migra para o Alvaro Dias. O segundo voto nas pesquisas do Bolsonaro é do Alvaro.
Ele é o candidato com maior potencial de crescimento. Por que? Ele está empatado tecnicamente com o Geraldo, só que o Geraldo, que é mais do mesmo, é desconhecido por 10% da população e o Alvaro por 45%. Então, o Alvaro é o candidato com o maior potencial de crescimento.

Sobre Bolsonaro, o que espera caso ele seja eleito?

Nada. Vou te dar uma comparação: em um mesmo período, 20 anos, Bolsonaro dois projetos aprovados, Alvaro Dias, 249. Não tem como comparar. Política se faz com diálogo, os extremos não vão conseguir governar o país. Nós precisamos de uma alternativa de centro que una o Brasil.

“O voto do Bolsonaro desidratando, migra para o Alvaro Dias”, afirma Renata Abreu

E como avalia o fato de Lula se manter na liderança das pesquisas mesmo preso?

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Não considero o Lula candidato e acho um absurdo a imprensa considerar, as pesquisas tratá-lo como candidato. Não tem candidato, ele está preso. O PT quer usar a imagem dele para fortalecer um candidato do PT.

Em Osasco, o Podemos tem um número elevado de candidatos (sete a deputado estadual). Qual a estratégia do partido neste sentido?

Na verdade, quando se fala de candidaturas, se fala de sonhos de determinadas pessoas. Então, jamais vou pedir para um candidato não sair. Se a pessoa postula isso, o partido tem que ser um instrumento de oferecer alternativa. Não houve estratégia. Quem quer postular [candidatura] e tem ficha limpa, pode conduzir esse processo, que venha e cumpra essa missão. Não foi estratégico, aconteceu.

Nesse grande número de candidatos do Podemos, alguns dobram com a senhora, outros com Bruna Furlan (PSDB-SP), de Barueri. Há candidatos que seguem o partido e apoiam Márcio França (PSB) ao governo, outros já declararam apoio a João Doria (PSDB). Como fica a questão da unidade dentro do partido?

Isso é democracia. Essa pregação do ódio precisa acabar e nós temos de dar o exemplo. A questão de apoios, um está com Doria, outro com França, isso é democracia. Nós, como partido, entendemos que o melhor caminho hoje é o governador Márcio França e dessa forma orientamos nossos candidatos. À presidência da República, Alvaro Dias é o nosso candidato. Nosso candidato a senador é o Mario Covas Neto. Entendemos que esse é o melhor caminho, agora, obrigar alguém? Não posso.

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Como avalia os governos de Rogério Lins em Osasco e Igor Soares em Itapevi e quais as perspectivas políticas dos dois?

São dois jovens promissores. Estão no primeiro mandato como prefeito e tudo na vida tem uma curva de aprendizado. Acho que eles estão muito dedicados, muito trabalhadores. Estão sempre em Brasília pleiteando recursos para as cidades. Avalio de forma positiva o desempenho principalmente na questão de aportar recursos para as cidades.

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