Paralisação agora é “oficial” e deve se alastrar pela região

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Grevistas impedem a circulação de ônibus na cidade desde a manhã de quarta-feira / Foto: Eduardo Metroviche
Grevistas impedem a circulação de ônibus na cidade desde a manhã de quarta-feira / Foto: Eduardo Metroviche

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Leandro Conceição

Iniciada por dissidentes do Sindicato dos Condutores de Osasco e Região (Sincovero) na quarta-feira, 21, a continuidade da greve dos motoristas e cobradores foi aprovada em assembleia da entidade na noite desta quinta.
Com a paralisação agora “oficializada”, ela deve chegar ao terceiro dia nesta sexta com mais força nas outras cidades da base do sindicato: Barueri, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Cotia, Embu das Artes e Taboão da Serra. A entidade representa cerca de 10 mil trabalhadores.

Categoria decidiu manter paralisação

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Os motoristas e cobradores devem descumprir determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que estabeleceu multa diária de até R$ 500 mil ao Sincovero caso não mantenha 75% da frota em circulação, segundo a diretoria da entidade.

“Agora a greve é do sindicato, não tem jeito. Vamos tentar pôr 75% da frota para circular, mas é difícil”, admite o vice-presidente do sindicato, Osmar José dos Santos. “Depois, vamos ver o que vai acontecer”.
A categoria reivindica reajuste salarial de 14%, vale refeição (VR) de R$ 22 e Participação nos Lucros e Resultados de R$ 1.200. As empresas de ônibus ofereceram 8% de aumento, R$ 16,50 de VR e R$ 750 de PLR.

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Reivindicações x Propostas das empresas

Reajuste salarial: 14% x 8%
Vale Refeição: R$ 22 x R$ 16,50
PLR: R$ 1.200 x R$ 750

Números

– Cerca de 10 mil trabalhadores são representados pelo Sindicato dos Condutores de Osasco e Região (Sincovero), em oito cidades da região
– até R$ 500 mil foi a multa estabelecida pelo Tribunal Superior do Trabalho caso o sindicato não mantenha, durante as negociações, 75% da frota circulando; sindicalista admite que determinação não deve ser cumprida

Dois dias de caos

A greve iniciada em São Paulo na terça-feira, 20, por dissidentes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores estimulou dissidentes do sindicato da categoria em Osasco e região. A paralisação dos ônibus e o fechamento dos terminais osasquenses inicialmente por funcionários da Viação Osasco na manhã de quarta, 21, surpreendeu os passageiros.
No terminal do Largo, muitos passaram horas à espera da volta dos ônibus, sem orientações ou informações sobre a paralisação. “Eles têm direito de fazer suas reivindicações, mas é preciso pensar também nas pessoas, pelo menos avisar primeiro”, reclamou a estudante Márcia Joana Reis, 16.

O aposentado Luiz Gonzaga Ferreira, 70, definiu a greve surpresa como “uma sacanagem”. O jeito foi recorrer a caronas ou vaquinhas para pagar taxis.
Nos dois primeiros dias, a greve não contou com o apoio do sindicato. Grevistas disseram não se sentir representados pela entidade. “Vamos ficar [parados] até resolver. Se eles [do sindicato] não estão nos apoiando, a gente não precisa deles para nada”, disse o cobrador Roberto Meiado.

Os grevistas bloqueavam e retiravam as chaves dos ônibus em circulação. Motoristas e cobradores que tentavam manter as atividades eram ameaçados.
Na noite desta quinta-feira, veículos tiveram pneus furados em Osasco e os grevistas bloquearam parte da avenida dos Autonomistas nos dois sentidos, na altura do Hospital Cruzeiro do Sul. Segundo a Polícia Militar, dois homens armados, em motos, foram detidos na tarde de quinta por ameaçarem motoristas e cobradores.

onibus

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