Participação popular na era da informação

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Quando uma mobilização, ainda que digital, consegue mais de um 1,6 milhões de assinaturas pedindo a renúncia de um político, como ocorreu com Renan Calheiros e sua chegada à presidência do Senado, há uma mensagem importante sendo passada. Ainda que não tenha valor legal e não siga ritos burocráticos, é inegável que representa a grita de parcela significativa da população. Pode-se apelar para qualquer santo: discutir legitimidade, integridade das entidades e das assinaturas. Mas o fato é que, manobrada ou não, essa população se organizou e manifestou claramente uma opinião.

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A política – e os políticos – precisam começar a compreender a evolução das formas de participação popular. Aprender a dialogar, não só através dos novos canais digitais, mas também dos antigos espaços “analógicos” ora usados com novas finalidades. No cerne desse entendimento está a necessidade de compreender o que verdadeiramente significa a participação.

O debate em torno do Plano Diretor de Cotia é um exemplo desse paradigma dos novos tempos. Quando um leque abrangente da sociedade, representando diferentes correntes de pensamento, resolve antecipar a discussão da lei mais importante da cidade depois do orçamento, não importa se isso segue padrões legais ou quem chamou a discussão. Importa o conteúdo e as reivindicações. Não cabe simplesmente desqualificar o debate, mas compreender que ele expressa pontos que precisam ser discutidos. Podem não ser pontos pertinentes no final das contas. Talvez inexequíveis. Mas ainda assim, carecem de atenção.

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Hoje, alguns políticos podem tentar se fazer de cegos ou desentendidos. Mas a atitude só servirá, para a sociedade, como medida de sua obsolescência e despreparo para lidar com o futuro.

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