Partido Operário tinha plano para executar ministro Delfim Neto

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Ex-militante do PCB e do POC contou detalhes da luta armada contra a ditadura militar / Foto: Reprodução/TV Câmara

Ex-militante do PCB e do POC contou detalhes da luta armada contra a ditadura militar / Foto: Reprodução/TV Câmara
Ex-militante do PCB e do POC contou detalhes da luta armada contra a ditadura militar / Foto: Reprodução/TV Câmara

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Fernando Augusto

A Comissão Municipal da Verdade realizou mais uma sessão na Câmara de Osasco nesta semana. O ex-militante político Laurindo Junqueira Filho falou sobre a organização do movimento operário em Osasco no período anterior ao Golpe Militar de 1964 e também sobre sua militância e prisões durante a ditadura.

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Um dos pontos altos do depoimento foi a revelação de um plano de integrantes do Partido Operário Comunista (POC) para executar o então ministro da Fazenda e nome civil mais forte do regime: Delfim Neto.

O mentor do plano teria sido o jornalista Luiz Eduardo Merlino, mais tarde torturado e morto no Doi-Codi. “[Delfim Neto] morava na praça Roosevelt (centro de São Paulo), exatamente ao lado de onde morava o Merlino, que procurou pela direção do partido e disse ‘vamos acabar com o Delfim’. Estivemos a ponto de executá-lo, mas houve uma decisão coletiva de que não seria a atitude correta, pois provocaria uma reação desproporcional”, revelou Laurindo Junqueira.

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Além do projeto abortado pelo POC, outro plano, este frustrado, envolvia o sequestro de Delfim Neto e seria realizado pela VAR-Palmares, outro grupo que optou pela luta armada contra o regime. O plano foi revelado pelo também osasquense e que militou no grupo, Antonio Roberto Espinosa, em entrevista à Folha de S. Paulo em 2009.

Na Comissão da Verdade de Osasco, Laurindo Junqueira contou sobre os episódios em que sofreu com a repressão política. Foi preso três vezes, uma delas por 25 meses, tendo passado por diversas torturas. Um dos contatos que teve nos porões da ditadura foi com o próprio Merlino, caso conhecido de assassinato cometido por militares. O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem Junqueira chama de “monstro vivo”, chegou a ser condenado a pagar indenização de R$ 100 mil à família do jornalista morto, mas recorre da decisão. Contra ele também tramita outra ação penal, suspensa mês passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob a justificativa da Lei da Anistia.

“Quando vi o Merlino na situação em que estava, gangrenado, achei q também ia sair morto [da cadeia]”, disse Junqueira, que também foi preso durante a Greve de 1968, na Cobrasma, metalúrgica de Osasco. Ao se lembrar da tortura, contou que, ao contrário de outros presos políticos, conseguia “jogar” com os torturadores. “Era um jogo extremamente perigoso onde você caminha no fio da navalha, conta coisas falsas para ganhar tempo. Simulei desmaios e o médico que acompanhava a tortura dizia pra eles pararem”.

Greve da Cobrasma

A Comissão da Verdade de Osasco realiza outra audiência na Câmara, na segunda-feira, 25, às 15h. O tema será a Greve da Cobrasma, que ocorreu em 1968. Será exibido o documentário 1968: memórias de histórias de luta’’, produzido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

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