Partido Verde lança índio candidato ao Senado

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Kaká Werá, de origem Tapuia, é um dos 86 candidatos indígenas em todo o país / Foto: Francysco Souza

Kaká Werá, de origem Tapuia, é um dos 86 candidatos indígenas em todo o país / Foto: Francysco Souza
Kaká Werá, de origem Tapuia, é um dos 86 candidatos indígenas em todo o país / Foto: Francysco Souza

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De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em todo o país 86 candidatos têm origem indígena, o que representa apenas 0,33% do total. No estado de São Paulo a proporção é ainda menor: são oito candidatos, 0,22% do total. Um deles é o escritor e empreendedor ambiental Kaká Werá, candidato ao Senado pelo PV, que esteve em Osasco dia 8 e visitou a redação do Visão Oeste.

Filiado ao Partido Verde desde 2010, o índio de origem Tapuia foi escolhido para a candidatura ao Senado em um esforço para cumprir uma das determinações da legenda de apoiar a diversidade. “Estávamos preocupados com a maneira como os temas ligados a nossas causas estavam se perdendo no Congresso”, diz, referindo-se principalmente à questão das demarcações das terras indígenas. “A PEC 215 tira do Poder Executivo o poder de demarcar as terras indígenas e passa ao Legislativo, onde a maior parte são pessoas ligadas ao agronegócio. É como se você colocasse a galinha para tomar conta do galinheiro”, alerta Werá, preocupado com o projeto que tramita na Câmara dos Deputados desde o ano 2000.

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A candidatura de um político com origem indígena ao Senado é uma amostra de um PV modificado após a saída da ex-ministra Marina Silva. O candidato a presidente pelos verdes, Eduardo Jorge, tem chamado atenção nos debates na TV ao defender causas como a descriminalização das drogas.
Werá ressalta que não pretende defender só causas indígenas no Senado. “Sou um índio-candidato, não um candidato dos índios”. Ele critica, por exemplo, a falta de investimentos do governo do estado no abastecimento de água. “Esse problema da água não é por causa de São Pedro, como andam falando. É porque a gestão não cuida da manutenção da água. Nós perdemos 32% pelo desperdício da água antes dela chegar às casas. O governo te fala: ‘te dou um bônus se você economizar’, mas não faz a parte dele, não investe em tecnologia para ele não desperdiçar”, afirma.

Assim como o seu partido, também defende a extinção do Senado e o redirecionamento do que é gasto para outras áreas. “Enquanto isso não é possível, a gente tem o desejo de que um senador por São Paulo possa focalizar os investimentos que o Senado media para o desenvolvimento sustentável”, diz. (Fernando Augusto)

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