Peccioli diz que Elvis também é inelegível

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“Na hipótese do PSDB ter mais votos, a gente corre o risco de ter uma terceira eleição”, diz ex-prefeito / Foto: Eduardco Metroviche

O ex-prefeito Silvinho Peccioli (DEM) critica a morosidade do Judiciário no processo que culminou com a cassação do então prefeito Marmo Cezar (PSDB) e defende que Elvis Cezar (PSDB) não pode ser candidato por ser filho do ex-prefeito e por ter sido cassado quando vereador de oposição em 2012. “Na hipótese do PSDB ter mais votos, a gente corre o risco de ter uma terceira eleição”, avalia.

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“Na hipótese do PSDB ter mais votos, a gente corre o risco de ter uma terceira eleição”, diz ex-prefeito / Foto: Eduardco Metroviche
“Na hipótese de o PSDB ter mais votos, a gente corre o risco de ter uma terceira eleição”, diz ex-prefeito / Foto: Eduardco Metroviche

Peccioli afirma ainda que ter ficado muito preso ao gabinete foi seu maior erro durante o último mandato à frente do Executivo. “Esse vazio foi ocupado habilmente pelo nosso adversário”, afirmou.

Depois do imbróglio que culminou com essa nova eleição qual a reação que espera da população?

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Essa novela teve protagonistas. Foi dirigida pelo Judiciário, que com sua morosidade habitual, transformou uma questão simples numa questão complexa. Foi uma impugnação baseada na Lei da Ficha Limpa, apresentada em julho do ano passado e julgada somente dia 21 de maio. Isso fez com que um cidadão que não podia ser candidato participasse da eleição. Ele não podia ser empossado e foi. E a publicação do acórdão só aconteceu em agosto. Então ele ficou até meados de agosto para sair. Não considero um imbróglio. O que houve foi uma questão simples, que demorou muito mais do que devia para ser apreciada.

Como a população vai ver essa sua tentativa de nova eleição?

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Não teve tentativa nenhuma minha. O que houve foi defesa de um direito. Ninguém gosta de ser feito de trouxa. O judiciário deveria ser mais rápido. De novo, o mesmo partido está vindo com dois candidatos inelegíveis. Foi julgado já em primeira instância, onde é comum o juiz lavar as mãos, pois ele está lendo a Constituição pelo avesso.

O Artigo 14, parágrafo 7º, é claro: na sucessão, parente até terceiro grau não pode concorrer. Além disso, esse cidadão foi cassado pela Câmara Municipal. É ficha suja também e concorreu para vereador por força de liminar, que não foi julgada até hoje pelo TSE.

Na hipótese do PSDB ter mais votos, a gente corre o risco de ter uma terceira eleição, como está acontecendo na cidade de Ibaté.

Como avalia esse período do governo Cezar?

Ele foi péssimo. Demonstrou o que a gente falava. Havia uma disputa grande pelo poder. Eles queriam o poder pelo poder e não para transformar a cidade. Não tinham projeto, não tinham equipe.

O resultado é desastroso. Acabaram com o sistema de saúde, como a educação, não começaram e concluíram uma única obra nesse ano.

Durante o governo Cezar foram apresentadas denúncias sobre o seu governo. Esperava isso?

É o paradoxo de Santana de Parnaíba. Tem um governo que se comporta como oposição e uma oposição que tinha uma certa tendência a se comportar como governo.

Eles têm que olhar pra frente e se preocupar em administrar uma cidade. Esses camaradas continuam olhando no retrovisor. A preocupação deles sou eu. Fico envaidecido de ser objeto de tanta preocupação, mas entendo que o foco deveria ser a administração da cidade.

Em um comício, o sr. fez uma mea culpa e disse que durante o último mandato ficou muito preso ao gabinete. Como fez essa avaliação?

Sou centralizador na administração. A grande transformação da cidade se deu na nossa administração. Tirando a estrada que é estadual e o pavimento do centro mais antigo, todo pavimento que tem fomos nós que fizemos, a iluminação fomos nós, as escolas, que são 68, as unidades de saúde, o PAN Santa Ana, criação da guarda.

Colocamos Santana de Parnaíba no mapa e na rota de um crescimento sustentável e com qualidade de vida. Quando voltamos da Câmara Federal para cá continuei centralizando e esse foi um erro, pois me fez ficar muito tempo no gabinete despachando papéis, eu mal tinha tempo para atender vereadores. Era papéis e reuniões com o secretariado.

Com isso, deixei de mostrar a cara na rua. As pessoas querem ver o prefeito, dar suas sugestões. E esse vazio foi ocupado habilmente pelo nosso adversário, que fez uma campanha calcada em marketing de desconstrução de imagem. Uma mentira repetida várias vezes acaba se transformando numa verdade.

Como foi estabelecer a política de alianças nesta nova eleição e por que Magno Mori não o apoiou?

Dos partidos que nos apoiaram [em 2012], dois saíram, mas entraram outros. O que nos une não tem nada de fisiológico. Hoje não estou no poder e esse pessoal continua comigo.

A questão do Pedro Mori foi do grupo dele e a gente entende e respeita. Ele entendeu que o partido dele (PSB) deveria lançar candidato. Temos bom diálogo, não teve briga. Eu e o Pedro temos aliança de 16 anos e nada impede que no futuro a gente volte a conversar.

Entre os seus projetos está a redução da passagem de ônibus para R$ 1,50. Como será viabilizado economicamente?

Esse projeto existe em Paulínia, que tem arrecadação muito maior que a gente e o subsídio lá é integral, ninguém paga passagem. O que a gente vai fazer aqui é investimento de cerca de R$ 1,5 milhão por mês de subsídio. Pessoas das classes D e E serão cadastradas e vão receber um cartão.

A cidade é muitas vezes apontada como um paraíso fiscal…

Não é paraíso fiscal. Houve ao longo de 10 anos mais de 33 mil empresas vieram pra cá e aí houve um descompasso, então no meio dessas empresas vieram muitas “araras”, só davam o endereço daqui.

Então nós cortamos, de 33 mil para 8 mil empresas, que estão efetivamente no município, que tem pelo menos um funcionário trabalhando ali. Apesar disso, São Paulo entrou com ação contra Poá, Barueri e Santana de Parnaíba. Perdemos por ineficiência. Isso vai causar pra gente a partir do ano que vem uma fuga de receita de cerca de R$ 30 milhões. Precisamos tomar medidas rápidas para recuperar essa receita.

Qual a mensagem que quer deixar à população?

A população sabe exatamente o que ela pode esperar de uma administração do Silvinho Peccioli e do Olair Oliani e esse ano serviu para mostrar o que ela pode esperar da eventual continuidade de uma administração do PSDB. Estamos numa bifurcação.

Há o risco de perdas sérias e irrecuperáveis para a população. Convido a todos sobre uma reflexão sobretudo sobre a elegibilidade dos candidatos. Dos seis candidatos que estão aí, só cinco podem participar da eleição.

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