Editorial – Plebiscito popular, a “nova” velha política e o avião

0

A tal “nova política” de Marina Silva (PSB), candidata a presidente que substituiu Eduardo Campos, já começa com um imbróglio que só veio à tona por causa do acidente. E faz parte da essência de como funciona a velha política: a conta não fecha. Não de maneira simples e transparente, como deveria.

publicidade

Há grande movimentação de setores organizados pelo financiamento público

No entendimento da classe política, as regras criam obstáculos para a realização de uma campanha, sobretudo na prestação de contas. De fato, com as campanhas milionárias como são, realmente não é tarefa fácil.
Um avião e seus altos custos operacionais, por doação ou aluguel, em nome de X ou Y, é daqueles recursos mais complicados de justificar. Seguramente, até o final da campanha , ele estaria enquadrado burocraticamente. Mas a investigação à qual o acidente deu causa provavelmente expôs o processo antes da parte legal estar completamente definida.
E o que tem a ver o plebiscito popular com o avião? Tudo. A ideia de a população exigir, por plebiscito, a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para promover a reforma política ataca o cerne da questão eleitoral, pois passa pela discussão do financiamento das campanhas.

Há uma grande movimentação de setores organizados da sociedade para aprovar o financiamento público. As empresas ou os cidadãos mais altruístas não poderiam, neste caso, doar para o candidato ou partido. Doariam para um fundo que se encarregaria de redistribuir os recursos de forma democrática e justa.
É retórica da candidata Marina afirmar, no debate, que o voto já é a reforma política. Ele é ferramenta importante, mas não é, por si, reformador. A mudança do sistema sim. E o que se revelou a partir do episódio trágico que resultou na sua candidatura é um exemplo disso. A reforma política, com a discussão do financiamento, da representatividade nas casas parlamentares, do papel de cada Poder, é muito maior.

publicidade

Comentários

publicidade