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Bruna Furlan e Ana Paula Rossi receberam doações da empresa

Dos quase R$ 351,9 milhões em doações declaradas à Justiça Eleitoral feitas pela JBS nas eleições de 2014, um total de R$ 885,9 mil foi destinado a 12 políticos com base eleitoral ou que atuam na região.

A secretária de Educação de Osasco, Ana Paula Rossi (PR), e as deputadas federais Bruna Furlan (PSDB) e Renata Abreu (PTN-Podemos) estão entre os que receberam doações da JBS.

Envolvida em um grande escândalo político que pode derrubar o presidente Michel Temer, a empresa foi a campeã de doações nas eleições de 2014, com R$ 351,9 milhões para 1.960 candidatos.

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Da região, a atual secretária de Educação de Osasco, Ana Paula Rossi, recebeu a maior doação da JBS: R$ 250 mil, para sua candidatura a deputada estadual pelo PR. (ERRATA: diferentemente do citado anteriormente neste trecho do texto, o pai de Ana Paula, Francisco Rossi, não recebeu doação da JBS nas eleições de 2014. Rossi não foi candidato no pleito).

Os candidatos a deputado estadual Carlos Zicardi (PMDB), de Barueri, e Igor Soares (PTN-Podemos), de Itapevi, receberam R$ 150 mil cada. João Caramez (PSDB), também de Itapevi, recebeu R$ 120 mil de doação da JBS. Igor foi eleito, Caramez ficou como suplente e assumiu uma vaga na Assembleia Legislativa no ano passado e Zicardi não obteve êxito no pleito.

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A empresa também doou R$ 45,1 mil para Marcos Neves (PV), que acabou eleito deputado estadual e deixou o cargo para assumir a Prefeitura de Carapicuíba.

O vereador osasquense Alex da Academia (PDT) recebeu R$ 30 mil e o ex-vereador Valdomiro Ventura (PTN-Podemos), R$ 2,8 mil de auxílio da JBS para tentarem vagas na Assembleia Legislativa. Eles não foram eleitos, assim como o ex-vereador carapicuibano Alexandre Pimentel, que concorreu pelo PT e recebeu R$ 20 mil.

A deputada federal Renata Abreu, que não tem base eleitoral na região, mas tem atuado fortemente em Osasco, recebeu R$ 19,2 mil da JBS.

As menores doações declaradas da JBS a campanhas de políticos da região foram para a deputada federal Bruna Furlan (PSDB), que recebeu R$ 763 e Osvaldo Vergínio, que tentou se eleger deputado estadual pelo PSD e não conseguiu, R$ 73.

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O levantamento foi feito com base em dados tabulados pelo jornal Gazeta do Povo.

OUTRO LADO

O Visão Oeste garante espaço para os esclarecimentos de todos os citados na matéria. Todos foram contatados diretamente ou via assessoria por e-mail ou redes sociais. Até a publicação deste texto, Igor Soares, Marcos Neves e Carlos Zicardi responderam aos questionamentos da reportagem.

Os demais esclarecimentos serão atualizados quando as respostas chegarem.

Doações foram repassadas pelo PSDB”, afirma Igor Soares  

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Igor Soares se manifestou em nota oficial sobre o repasse de doação da JBS à sua campanha. Confira a íntegra:

“As contas de campanha do então candidato a deputado estadual Igor Soares, no ano de 2014, foram aprovadas pelo TRE-SP. Todas as doações e prestações de contas foram feitas de maneira legal e contabilizadas conforme determina a legislação eleitoral.

Naquele ano, as doações não foram feitas diretamente da JBS para o então PTN, hoje Podemos, e muito menos a então candidatura a deputado estadual.

Na época, o PSDB nacional, que recebeu doações da empresa, coligou com o PTN, que, por sua vez, recebeu recursos dos tucanos e repassou a candidatos da sigla.

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Vale lembrar que o Podemos foi o primeiro partido a deixar a base aliada de Temer, porque não compactua com a política praticada e denunciada pelos representantes da JBS”. 

“Jamais tive contato com representantes dessa empresa”, diz Marcos Neves 

O prefeito de Carapicupiba, Marcos Neves (PV), também emitiu nota oficial sobre a doação da JBS à sua campanha a deputado estadual em 2014.

“Na campanha de 2014, consta uma doação de R$ 45 mil do Diretório Municipal do PV, com a JBS como doador orginário, ou seja, o partido recebeu a doação. Os dados são todos públicos e podem ser consultados por qualquer pessoa. Quero deixar claro que jamais tive contato com representantes dessa empresa”, diz Marcos Neves.

Leia a íntegra da nota:

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“O Brasil vem vivendo um momento em que deve ser passado a limpo. É preciso ser transparente. E é assim que venho conduzindo minha vida política, com muito trabalho e diálogo.

Por isso, é importante falar sobre como funcionam as doações de campanhas: Até 2014 eram permitidas por lei as doações de empresas aos partidos e campanhas, desde que devidamente declaradas à justiça eleitoral.

Acontece, porém, que muitas campanhas, como temos visto todos os dias nos noticiários, receberam doações que não foram declaradas, o chamado ‘Caixa 2’. Isso é crime. 

Felizmente, em todas as minhas campanhas, minhas prestações de contas formam sempre aprovadas, o que significa que todas as entradas e despesas foram feitas rigorosamente dentro da lei.

É importante tratar desse assunto, porque muitas listas contendo nomes de políticos e doações de empresas estão circulando por aí e há uma diferença muito grande entre a doação ter sido feita dentro ou fora da lei, independentemente da empresa.

Na campanha de 2014, consta uma doação de R$ 45 mil do Diretório Municipal do PV, com a JBS como doador orginário, ou seja, o Partido recebeu a doação.

Os dados são todos públicos e podem ser consultados por qualquer pessoa. Quero deixar claro que jamais tive contato com representantes dessa empresa.

Como administrador público tenho o dever de prestar contas. Só assim vamos conseguir mudar a política”. 

“Não tenho nada a ver com a JBS”, garante Zicardi  

Candidato a deputado estadual nas eleições de 2014, Carlos Zicardi (PMDB) diz que os R$ 150 mil da JBS que foram destinados à sua campanha não representam nenhuma ligação entre ele e a empresa.

Zicardi explicou que a verba foi recebida da JBS pelo Partido Progressista (PP) e a doação foi repassada à sua campanha por um deputado federal com quem fez coligação, Missionário José Olímpio, que na época estava no PP e hoje é filiado ao DEM.

“A JBS recebeu R$ 37 milhões da JBS. O PP repassou para a candidatura do José Olímpio R$ 700 mil. Desses R$ 700 mil, ele doou R$ 150 mil para a minha campanha”, explicou Carlos Zicardi. “Realmente eu não recebi desse pessoal [da JBS]. Se tivesse recebido, não teria problema em falar. Afinal, na época ninguém sabia dessa história toda”.

Ele diz ter sido pego de surpresa com a notícia de que está entre os beneficiados por doações da JBS. “Levei um susto”.

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