Projota e Negra Li fazem show em Osasco; leia entrevista com o rapper

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Foto Gabriel Wickbold

"estou muito mais maduro ", diz rapper / Foto Gabriel Wickbold
“estou muito mais maduro “, diz rapper / Foto Gabriel Wickbold

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Leandro Conceição

O rap Projota e o swing black de Negra Li são atrações no projeto CUT Cidadã Juventude em Osasco, no domingo, 18. O evento reunirá uma série de atrações das 9h às 18h ao lado do Sesi da zona Norte, no Jardim Canaã.

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Em entrevista ao Visão Oeste, Projota fala sobre o show, a carreira e a nova geração do rap nacional, da qual é um dos principais nomes. Confira os principais trechos:

Visão Oeste: O que o público pode esperar para o show em Osasco?

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Projota: Podem esperar total entrega e energia de corpo e alma, com músicas antigas e novas. Estamos muito ansiosos para que o dia chegue. É uma oportunidade única poder levar o show a Osasco para um publico grande, por se tratar de um evento aberto.

Quais suas principais referências musicais?

Sou bastante eclético. Cresci ouvindo rock, samba, MPB… Quando adolescente, o rap bateu na minha porta e mudou minha vida.

Como é fazer parte da nova geração do rap nacional, que vai à TV, que tem letras que vão além das questões sociais, da violência? Em “64 Linhas” você responde às críticas de parte da “velha guarda”. Como avalia essas críticas?

Na verdade, não respondo críticas da velha guarda. Quem faz parte disso há muito tempo geralmente entende e respeita nosso trabalho.

Quando escrevi “64 linhas”, foi para pessoas da mesma idade que eu, mas que não conseguiam enxergar os pontos bons que meu trabalho tem e atirava pedras de olhos fechados.

Mas essa música foi lançada há mais de dois anos, e de lá pra cá tudo mudou. Sou muito feliz de ver meu trabalho sendo respeitado pela grande maioria das pessoas que o conhecem.

Acredita que os avanços sociais do país refletem na nova geração do rap, que também fala de amor, de consumo, de gostos? Ou essa mudança de postura reflete mais uma mudança do próprio rap do que do país?

Costumo dizer que os próprios ensinamentos que adquiri ouvindo rap me fizeram ter uma vida diferente das vidas levadas pelos meus ídolos. Eles passavam mensagens que diziam ‘não entre no crime, não vai fazer bem pra você’.

Pois então, não entrei, estudei, como eles indicaram, acabei vivendo outra realidade. Isso é o principal motivo da diferença nas letras.

Como vê a ascensão do funk ostentação na periferia de São Paulo? Acha que o funk rivaliza de alguma forma e vem se sobressaindo sobre o rap?

Acredito que não haja rivalidade, muito pelo contrario. Conheço MCs de funk e o respeito e admiração deles para com o rap é sempre demonstrado. Acho que não se cresce num trabalho se o seu foco for o trabalho dos outros.

Então, não me baseio no funk para construir meus planos no rap, pois são realidades diferentes, e estamos no caminho certo. Prova disso é esta entrevista, espaço que era muito raro para os artistas do rap anos atrás. Seguimos na luta.

Como foi o processo de produção de Muita Luz, seu último mixtape? Por que o considera um trabalho “muito melhor” que os anteriores?

Foi feito assim como os anteriores, de forma totalmente independente. Mas o que difere, principalmente, foi o tempo de produção, trabalhamos por mais de um ano nessa mixtape.

Ele é melhor, e muito melhor na minha visão, pois é melhor produzido em todos os sentidos, as batidas, as letras e a construção do disco, formam um resultado mais solido.

Acredito que estou muito mais maduro e preparado para tratar de certos assuntos sociais com muito mais propriedade do que nos discos anteriores. Esse disco refletiu muito bem os acontecimentos recentes do país, mesmo sendo lançado antes da onda de protestos.

Quais seus principais projetos para os próximos meses?

Agora estamos trabalhando as musicas da mixtape Muita Luz, produzindo videoclipes e partindo na divulgação destas músicas. Mas também já estou escrevendo coisas novas e me preparando para o próximo trabalho, pois meu amor por fazer música e buscar evoluir nessa arte, não me permite parar por muito tempo.

Obrigado pelo espaço, isso é muito importante nao só para mim, mas para toda a cultura Hip-Hop, cada porta aberta para qualquer artista do rap, é ponto para toda a cultura.

Serviço:

CUT Cidadã Juventude  com shows de Projota e Negra Li

Domingo, 18 – das 9h às 18h, ao lado do Sesi da zona Norte, no Jardim Canaã

 

 

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