“Propina da Morte”: Prefeitura de Osasco investiga cobrança por velório clandestino de mortos pela covid-19 em hospital particular

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hospital cruzeiro do sul osasco
Foto: Lana Alves/Visão Oeste

A Prefeitura de Osasco afirma que foi aberta uma investigação para apurar denúncias de que no Hospital Cruzeiro do Sul supostamente haveria um esquema de cobrança de propina para a realização de velórios ilegais de mortos pela covid-19, segundo reportagem da Rádio Bandeirantes.

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Com velórios e enterros restritos devido à pandemia, funcionários ligados ao hospital particular estariam cobrando R$ 2,5 mil para liberar parentes para velarem vítimas da doença, de acordo com denúncias.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta sexta-feira (19), o prefeito de Osasco, Rogério Lins, comentou as denúncias. Ele afirmou que a suposta cobrança irregular é ilegal e “infringe as determinações do Ministério da Saúde, já que é proibido fazer velório para as vítimas da covid, em virtude do alto grau de contágio, que pode trazer consequências irreversíveis para os familiares”.

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“A Prefeitura abriu uma sindicância, nossa Vigilância Sanitária e Epidemiológica está fazendo uma incursão dentro do hospital, pedindo esclarecimentos”, afirmou Rogério Lins, em entrevista a José Luiz Datena e Agostinho Teixeira.

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De acordo com denúncias, funcionários do Hospital Cruzeiro do Sul estariam pedindo R$ 2,5 mil para deixar parentes de mortos pela covid-19 velarem clandestinamente o corpo pelo período de uma hora dentro da própria unidade de saúde. “Não ia nem ver [o corpo], já ia direto para o cemitério. Aí, tem um negócio clandestino aqui no Cruzeiro do Sul, e eles deixaram os parentes verem por uma hora a pessoa. Cobraram R$ 2,5 mil para a gente ver por uma hora”, diz um dos denunciantes, em áudio.

A reportagem da rádio entrou em contato com uma suposta atendente social do hospital em Osasco. Sem saber da denúncia e achando que tratava-se de um parente de um paciente com covid-19, ela explicou como funcionava o suposto esquema: “Se de repente o paciente foi a óbito hoje 8h da manhã, eles entram em contato com vocês e vocês vêm por volta das 9h. A família vai verificar com o médico se tem condições de liberar lá na sala em que fica esperando a funerária para que o familiar possa ir até o corpo ver, ficar lá um tempo (…) Ele vai conseguir te dar esse privilégio”. Sobre uma possível cobrança, a mulher afirma: “Aí você vai ter que ver com o médico”.

O Hospital Cruzeiro do Sul ainda não se pronunciou oficialmente sobre as denúncias.

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