Quem se importa com uma vida?

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A violenta morte de Cláudia da Silva Ferreira, a auxiliar de serviços gerais de 38 anos, moradora do subúrbio do Rio de Janeiro, chocou o país. A imagem de seu corpo caído, preso à carroceria de uma viatura policial e sendo arrastada por centenas de metros enquanto debatia-se em buracos e solavancos, ficará marcada na memória dos brasileiros. Mas seguramente ficará muito mais enraizada e dolorida nas vidas de seus quatro filhos, que amavam a mãe e tinham nela carinho, conforto, e o exemplo de luta e trabalho duro para sustentar a casa.

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A ação nem de longe pareceu se importar em salvar a vida daquela mãe

O choque ficou ainda maior quando a justiça determinou a soltura dos policiais envolvidos no trágico desfecho de uma operação que começou trôpega por diversos aspectos e ainda tem muito a ser explicada. Como o fato de as testemunhas civis – todas – declararem inexistente o tal tiroteio que justificaria a violenta entrada dos policiais na comunidade. O mesmo suposto “tiroteio” que teria conduzido uma bala de fuzil diretamente ao coração de Cláudia. Também precisa ser melhor explicada a justificativa do defeito na fechadura do porta-malas da viatura, não constatado pela perícia.

Sob qualquer ângulo de visão, o desastrado resgate deixa apenas a impressão de que, do impacto da bala ao recolhimento à viatura, a ação nem de longe pareceu se importar em salvar a vida daquela mulher, mãe, negra, pobre e trabalhadora. A preocupação era “vazar” dali. Dar o fora o mais rapidamente possível. Com tampa aberta ou fechada, braço pendido, corpo pendurado, restava ali apenas mais um número para a estatística. Mais uma história de truculência e falta de preparo, para “arredondar” no relatório mais tarde.

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