Renato Rovai: A oposição antipetista pode ter declarado seu fim no episódio Cunha

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Renato Rovai é jornalista e diretor da revista Fórum / Foto: Divulgação.
Renato Rovai é jornalista e diretor da revista Fórum / Foto: Divulgação.

Renato Rovai - jornalista. Editor da revista Fórum
Renato Rovai – jornalista. Editor da revista Fórum

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Quem abusa da hipocrisia corre o risco calculado de ser desmascarado. Não há ingenuidade em abusar da cara de pau condenando algo que se faz no privado. Isso vale pra mulher ou homem adúlteros. E pra políticos corruptos.

O PSDB e o DEM são partidos com muitos esqueletos no ármario. Têm uma história bastante recheada de casos escabrosos. E em boa medida só conseguem escapar de julgamentos mais duros por conta da sociedade política que têm com a mídia tradicional.

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Mas mesmo assim seus líderes não cansam de gritar “pega ladrão” a qualquer coisa que se aproxime de uma suspeita e envolva alguém do governo federal.

Agora, porém, um dos seus aliados conjunturais, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é suspeito de ter operado propinas que podem atingir meio bilhão de dólares. Um mero deputado movimentar isso é um monstruoso escândalo. Mas nem um pio.

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Nem um pio de nenhum tucano ou demo graduado. Um silêncio catatônico. O custo político deste posicionamento para a oposição a Dilma não será pequeno. E sua fatura pode significar a derrota desses grupos já em 2016.
PSDB, DEM e quetais não conseguirão tirar a tatuagem de Cunha de suas marcas. Sempre haverá alguém a perguntar, mas e o Cunha?
Para a dona Maria e o seu José o caso Cunha é muito simples de explicar. E por isso também será muito difícil para este eleitor mais simples entender por que o time de Aécio se calou neste episódio.
E aí a cobra vai morrer mordendo a língua. Ela pode até ter envenenado sua vítima antes. Mas não vai ser favorecida pela sua morte.
Em suma, a oposição antipetista pode até enfraquecer e derrotar o PT. Mas não será herdeira do seu espólio. Há uma clara possibilidade para um novo projeto político menos hipócrita e mais sério ser construído para 2018. Só faltam os líderes para ele. E como na política não existe espaço vazio, tudo é apenas uma questão de tempo.

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