Sabesp falta a audiências sobre crise da água

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Sistema Cantareira voltou a apresentar quedas sucessivas / Foto:

A represa Jaguaribe, integrante do Sistema Cantareira, é uma das atingidas pela estiagem / Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem
A represa Jaguaribe, integrante do Sistema Cantareira, é uma das atingidas pela estiagem / Foto: Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem

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Leandro Conceição

Após a presidente da Sabesp, Dilma Pena, afirmar que não compareceria e deixar de enviar representante, a audiência pública sobre a crise da água no estado que seria realizada na noite de quarta-feira, 24, na Câmara de Osasco, foi cancelada. É a segunda vez que a companhia do governo do estado deixa de comparecer a um evento do tipo na Casa de Leis osasquense.
Dilma Pena alegou problemas de saúde para não comparecer. “O que é inaceitável é ela não ter enviado um representante”, critica a vereadora Mazé Favarão (PT), solicitante da audiência. A parlamentar afirma que “existe um racionamento escondido que só atinge as periferias, as cidades periféricas, e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem que assumir isso”.

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Moradores de diversas cidades da região têm reclamado de interrupções frequentes no abastecimento. “Toda semana falta água, fica o dia todo sem abastecimento e só por volta das 23h é que a água volta”, relata Tércio Yoshimitsu Asakura, morador de Itapevi, no bairro Amador Bueno.

“Governador tem que assumir racionamento”

“Tem faltado água com frequência. Semana passada ficamos três dias sem água e não recebemos nenhum aviso. Começamos a guardar água em galões, porque estamos vivendo um racionamento disfarçado”, afirma Simone Cristina Asakura, moradora do bairro Bela Vista, em Osasco.
Na quarta, o abastecimento de água foi interrompido em áreas de Barueri, Carapicuíba, Osasco e Santana de Parnaíba, segundo a Sabesp devido a uma manutenção no sistema de bombeamento.

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“Indigno”
Para Mazé Favarão, o governo de Geraldo Alckmin já deveria ter iniciado um racionamento “oficial” de água, mas está postergando para evitar o impacto da medida nas urnas nas eleições, dia 5 de outubro.
“Ele [Alckmin] tem que vir a público e dizer: ‘povo, errei, não fiz os investimentos que tinha que ter feito, e estamos com falta d’água. Vamos ter um racionamento no qual todos dêem a sua contribuição”, avalia a vereadora. “Coloco minhas duas mãos no fogo que 10, 12 de outubro vai vir o calendário de racionamento. Isso é indigno de um governador de um estado como São Paulo”.
O nível do Cantareira chegou a 7,4% da capacidade, o mais baixo da história, nesta quinta, 25. O secretário de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, avaliou que, se as chuvas não aumentarem, a primeira cota do volume morto deve durar até 21 de novembro. A segunda cota vai até março do ano que vem, de acordo com estimativa oficial.

“É uma questão da natureza”, alega tucano

Foi a segunda vez que a Sabesp deixou de comparecer a uma audiência pública na Câmara de Osasco sobre a crise da água. Na primeira, no mês passado, o evento foi realizado sem representantes da companhia que, segundo os vereadores do PSDB, não havia sido convidada. Agora, os tucanos minimizam a nova tentativa de audiência.

“Depois de ter feito uma audiência, falar que vai fazer outra porque, ou por incompetência ou má-fé, a Sabesp não havia sido convidada para a primeira… não existe isso”, afirma o vereador Sebastião Bognar.
Mazé Favarão admite que na primeira tentativa houve um atraso no envio do ofício convidando a direção da Sabesp, mas diz que os adversários usam isso para “desviar o foco”.
Bognar defende ainda que não vê necessidade de se iniciar um racionamento de água. “O que tem que fazer é o que o povo está fazendo. As pessoas estão colaborando, economizando água. É hora de união. Não é hora de tirar proveito político disso. A solução [para a crise da água] é uma questão da natureza, não é política”.

O parlamentar diz ainda que “não tá faltando água [só] em São Paulo, tá faltando água no Brasil. E falta água por causa do desmatamento na Amazônia, que influencia no clima em São Paulo. Outra questão é a ocupação irregular orquestrada dos mananciais”.

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