Stanka e a oportunidade de participar de um grande festival

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Osasco Rock Fest II // Antes de subir no mesmo palco do Capital Inicial e Nx Zero, banda STANKA fala sobre Brasil e música ao Visão Oeste

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Stanka - Henrique Grandi-9

O 2ª Osasco Rock Fest acontece domingo, 28, às 11h, na Arena Concha Acústica da Fito, com entrada a um litro de leite, e traz à cidade nomes como Nx Zero e Capital Inicial.
O grupo Marrones faz cover de Ramones, e mais quatro bandas da região, vencedoras de concurso, vão tocar. São elas a Del Jaiz, de ska-rock, o rock´n´roll da Doravantes, o metalcore da Black Days e o Stanka, que mistura rock com rap.
Em entrevista ao
Visão Oeste, o vocalista da Stanka, Xirum, fala sobre o projeto do grupo, Brasil e a cena rock da região. O grupo está prestes a lançar o disco Sociedade-B, e devem divulgar a turnê no site www.stanka.com.br

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Visão Oeste: O que significou vencer o concurso de bandas do Osasco Rock Fest II?
Primeiro gostaria de dizer que ter esta oportunidade pra nós é algo fantástico. É muita responsabilidade e nos sentimos muito bem pelo fato de sermos escolhidos dentre diversas bandas pancadas e com apresentações de qualidade ímpar, Osasco realmente está produzindo e incentivando a cena Rock n’ Roll.  Estamos empolgados para apresentar o nosso projeto, nosso som e nossas ideias sobre a realidade. O nosso projeto visa oferecer à todos os contrastes do dia a dia, da economia da politica e da vida do povo, o som e as palavras chocam juntas numa pegada com balanço Rock, Rap e o que a mente mandar.  A nossa musica transmite isso, acho que nos escolheram dessa forma.

Como vocês chegaram a esse formato sonoro de rock com rap e letras politizadas?
O conceito do Stanka é exatamente esse, nós nos propomos a oferecer as nossas leituras musicais e dialéticas, numa forma de unir musica e poesia como resistência. Chegamos ao formato Stanka através do amigo e produtor Fabio Hataka. A faísca inicial que uniu a vontade de falar, protestar e agir com a sonoridade pesada do Rock nasceu junto com os protestos de 2013, aquilo pra nós, observando é claro todos os excessos, foi um grito da juventude que do seu jeito meio desconexo e amorfo tomou as ruas do país por mudanças. Nossas influências vão de Rage Against The Machine passando por Racionais mcs, Red Hot Chili Peppers, White Snake, Nwa entre outros. Estamos preparando muitas oportunidades para interagir diretamente com o publico apresentando o show Sociedade-B que leva o mesmo nome do disco e estamos pra divulgar as agendas de lançamento do novo show além do espaço para a compra do PLAY no site www.stanka.mus.br, mas traremos uma boa dose do trabalho no dia 28.

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Vocês são todos de Osasco, certo? Como enxergam a cena musical da região, principalmente rock, que tem muitos nomes que sobrevivem de forma independente sem muito espaço fora daqui? Osasco inclusive tem se proposto a ser uma “cidade rock and roll”, existem projetos como o Osasco Rock Fest, que vem crescendo a cada edição, existem outros eventos menores que promovem shows e até projetos políticos. 
Sim somos daqui e temos uma relação muito próxima com a cidade, ficamos muito felizes de ver eventos assim ocorrendo aqui já que temos muitos amigos que batalham em bandas ou carreiras solo que são talentosíssimos e que estão espalhados por Osasco. Aqui é a cidade do ROCK! Faltava uma organização, mas nos últimos anos vemos O Osasco Rock Fest e muitos eventos menores de diversas formas diferentes ocorrendo em nossa cidade e saber que alguns desses eventos se propõem a ser um espaço de reflexão política nos deixa animados.

O nome da banda, Stanka, sugere vir da palavra estancar. Li definições como “estancar a corrupção dos costumes”. Como vocês chegaram a esse nome e, aproveitando o gancho, como se posicionam nesse momento da história do Brasil em que existe uma onda crescente do conservadorismo, ódio e intolerância? 
Exato, nossas letras levam a mensagem do não se conformar com o que é ruim só por que é o real e “Stankar” significa parar o curso, interromper. “Toda a opressão designada exploração é um manifesto a nossa resistência” a nossa mensagem é clara. O momento que o Brasil vive é delicado de crise econômica, escândalos enormes envolvendo vários partidos. Defendemos que todos os culpados sejam punidos, embora o nosso judiciário não inspire confiança, acreditamos na justiça e que todos merecem espaço e direito a defesa mas o BRASIL precisa de mudanças, as pessoas devem tomar cuidado para não confundir mudança com golpe, devemos respeitar a democracia. A crescente dos conservadores diante da opinião publica não é para promover nenhuma mudança que não seja a volta à força deles próprios ao poder. O ódio que alguns setores elitizados direcionam à imagem dos políticos da vez é pautada fora do interesse publico e é projetado como ataque sob-medida contra seus próprios inimigos.

A Stanka lançou o clipe da música “Quanto Custa?”, que tem de certa forma alguma relação com os protestos que tem ocorrido no Brasil desde Junho de 2013, o que coincide também com o surgimento da banda, também em 2013. Existe de fato essa correlação? Como vocês interpretam as manifestações de 2013 pra cá, visto que tem mudado bastante o foco inicial e hoje tem até espaço pra defensores da Ditadura? 
Sim, comentei acima quando contava a história da banda sobre essa correlação, é verdadeira, foi o momento em que o Stanka ganhou forma e delineou o seu projeto. Os protestos de junho/julho estavam na atmosfera que respirávamos e mesmo naquela época já era desconexo, não era só aumento da passagem nas ruas, se via um mosaico de forças políticas dizendo coisas diferentes já que não era focada numa pauta única. Hoje vemos alguns protestos de classe media alta pregando objetivamente o ódio e o preconceito contra outras pessoas de outras orientações políticas e até raças e credos são organizados e financiados pelos mesmos conservadores que querem desesperadamente voltar ao poder admitindo até cogitar absurdos como a ditadura militar. 

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