Teoria da conspiração no Metrô não convence

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Já está ficando um tanto cansativa a estratégia do governo do estado de justificar as frequentes panes no Metrô de São Paulo com uma mirabolante teoria que acusa grupos de usuários, supostamente com interesses políticos, de estarem sabotando a operação do serviço. Seria uma justificativa legítima se, em algum momento dos últimos 8 anos, período em que se intensificaram — em frequência e proporção — essas panes, o Metrô tivesse levado a cabo uma investigação aprofundada, identificando indivíduos ou grupos responsáveis pelos supostos ataques. Ou tivesse realizado substituições de carros e investimentos que justificassem imaginar que a falta de manutenção do serviço, como reclama o Sindicato dos Metroviários, não seria a explicação para o problema.

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Problemas culminaram no travamento de vagões e em caos no sistema

Não tem mais cabimento o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Jurandir Fernandes, vir a público para atribuir um tumulto como o da terça-feira, 4, a “grupos organizados”. Depois de uma série de problemas que culminaram com o fechamento de portas e travamento dos vagões, com gente passando mal e uns tantos sufocando no escaldante calor dos últimos dias, deveria ser no mínimo compreensível quando uma massa de usuários desesperados se revolta com a interrupção. Claro, não se justificam os atos de vandalismo, mas as reações extremadas provavelmente refletem o cansaço de uma população que já não se conforma mais com desculpas esfarrapadas.

Pode mesmo acontecer que algumas dessas investidas contra esse serviço essencial para a cidade de São Paulo tenham tido um viés político e, mais ainda, criminoso. Mas, ainda assim, estaria exposta aí uma grave falha do Metrô em não providenciar, com inteligência e apuração rigorosa, uma solução e a punição dos supostos mal feitores. Porque, caso contrário, só veremos aumentar a insatisfação da comunidade, que já não se convence tão facilmente com teorias conspiratórias preparadas especialmente para períodos eleitorais.

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