Um destino para o Montreal

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A repercussão da notícia sobre o fechamento do Hospital Montreal em Osasco (“Um hospital em coma”, edição 545) nas redes sociais foi um termômetro singular. Mostrou o grau de descontentamento dos usuários, cada qual com algum episódio escabroso na memória. Foram milhares de visualizações, compartilhamentos e comentários com reclamações e desabafos de quem sofreu, ou viu sofrer, as mazelas de uma instituição agonizante.

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Também expôs o dilema que vivencia todo o sistema de saúde brasileiro, tanto o público quanto o privado. Este último, perdido entre letras miúdas de contratos leoninos de planos de saúde, tabelas defasadas, sucateamento da própria rede, em justaposição à sobrecarga do sistema público.

Situação expôs o dilema que vivencia todo o sistema de saúde brasileiro

A cada nova eleição, os postulantes a cargos eletivos renovam, obrigatória e automaticamente, o compromisso de resgatar a saúde, essa eterna enferma. E ainda que pese a boa vontade ou a capacidade para fazê-lo, o triste destino de um hospital privado como o Montreal, que já foi referência num passado longínquo da cidade, dá uma ideia de quão difícil é fazer esse resgate.
É parte dos mecanismos do Capitalismo que qualquer estabelecimento sem investimento, sem inovação e qualidade nos serviços sucumbirá à própria má gestão ou à concorrência. E nos comentários sobre a lacração do hospital, a lei de mercado foi ofuscada pela ignorância do usuário médio acerca dos limites entre o público e o privado.

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Quiçá essa ignorância possa ser vista como sinal de alerta sobre os anseios para com a saúde pública. E que possa, além disso, ser encarado como uma oportunidade. A chance, talvez, de o poder público utilizar-se de suas atribuições de credor de impostos, para assimilar uma estrutura cara e importante como o Montreal e transformá-lo, a um custo bem baixo, em equipamento público, ao invés de permitir que se perca em batalhas jurídicas e manobras fiscais de objetivos menos nobres.

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