Um hospital em coma

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Risco a pacientes e frequentadores, com a liberação do Corpo de Bombeiros vencida desde 2012, e falta de mangueiras dos hidrantes e extintores. Cozinha interditada pela Vigilância Sanitária. Esses problemas levaram o Hospital Montreal, no Centro de Osasco, a ser lacrado pela Secretaria municipal de Segurança e Controle Urbano (Secontru), no último dia 11. É mais uma mancha na história deste problemático hospital particular com capacidade para 150 leitos que funciona na rua Padre Damaso. DSC_0599 É a segunda vez que o Montreal tem problemas com a fiscalização em três anos. Em 2011, o Montreal já havia ficado mais de uma semana parcialmente interditado pela Vigilância Sanitária por diversas irregularidades. Entre elas, falta de equipamentos como desfibriladores e monitor cardíaco, comprometimento na parte estrutural do prédio, número insuficiente de profissionais para atender à demanda e medicamentos vencidos e abertos, além de documentação irregular.

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Agora, a lacração englobou todo o hospital, que teve de remover os nove pacientes que estavam internados – um deles na UTI – em 24 horas. Os fiscais da Secontru foram acionados para vistoriar a unidade após a Vigilância Sanitária interditar, no dia 9, a cozinha, por irregularidades relacionadas à higiene e segurança, segundo a secretaria.

De acordo com a Secontru, o hospital tem até o início da próxima semana para recorrer da lacração. E, em seguida, sanar as irregularidades, como solicitar o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros e o alvará definitivo.

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Desativado do Cnes

A direção do Hospital Montreal não foi localizada pela reportagem para comentar a lacração. Uma mensagem da companhia telefônica informa que o número de telefone usado até recentemente pela unidade e informado no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (Cnes), do Ministério da Saúde, não existe.

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O hospital, aliás, está desativado desde novembro de 2011 do Cnes, que é obrigatório a todos os estabelecimentos de saúde do país, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O banco de dados do Cnes é utilizado pelo poder público e setor privado em áreas como planejamento, regulação, avaliação, controle e auditoria.

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Enxurrada de críticas na internet

Noticiada no site e na página do Visão Oeste no Facebook na manhã de segunda-feira, 16, a lacração do Montreal teve recorde de visualizações e comentários de usuários com uma enxurrada de críticas ao atendimento no Montreal. Até a tarde desta quinta, 19, as postagens sobre o tema tinham mais de 120 mil visualizações e cerca de mil compartilhamentos com comentários sobre o suposto mal atendimento no hospital.

“Já estive internada na UTI desse hospital e peguei uma alergia devido à falta de limpeza. Imundo o banheiro”, disse Elizabeth Barboza Saraiva. Para Karina Rodrigues, “chegou a ser desumano o tratamento que eles davam neste lugar!”.

Rejane Lacerda comentou: “Outro dia levei minha mãe lá, e ficamos mais de três horas para fazer a ficha, banheiros sujos, sem papel, um horror. Minha mãe cansou e não esperamos mais, fomos a outro hospital”.

Natalia Tavares Pio relatou: “quando entrei lá quis sair correndo (…) Esse hospital tinha sujeira no chão a sala de observação parecia um banheiro”. Fernanda Meireles disse que o Montreal é o “pior hospital que tem em Osasco. Minha avó sofreu neste lugar, o banheiro em que ficou não tinha água quente no chuveiro, sujo”.

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