Artigo – Uma derrota anunciada e que não deve ser esquecida

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Luiz Carlos Azenha – jornalista. Publicado originalmente em viomundo.com.br

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Foi o meu segundo jogo da Alemanha na Copa. No primeiro, em Salvador, 4 a 0 sobre Portugal. Desta vez, no entanto, foi um massacre de maiores dimensões, porque do outro lado estavam os pentacampeões do mundo. A Alemanha jogando coletivamente contra um Brasil completamente desorganizado.

O massacre tático tinha endereço. Sentei-me bem diante da avenida Philipp Lahm. Um jogador que, em si, pela versatilidade, explica o sucesso dos alemães. Joga em diferentes posições, entra e sai do time.

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Felipão é o técnico da panelinha, da motivação psicológica. Um técnico do século passado. Joachim Loew deu uma aula nele. Ao longo desta Copa montou seu time feito um lego, adaptando a Alemanha de acordo com cada um de seus adversários.

A Alemanha nem sempre jogou bem, mas é preciso ser realista e admitir que o Brasil quase sempre jogou mal.

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No caso de hoje, a vitória começou pela avenida Lahm, que passeava pela esquerda e servia aos atacantes, que se revezaram trocando bolas livremente até concluir para o gol. A defesa, supostamente o ponto alto da defesa brasileira, desabou.

A torcida desistiu do time depois dos 5 a 0. Passou a ofender Dilma Rousseff, como aconteceu na partida de estreia. Alguns, bêbados, hostilizaram torcedores alemães que estavam isolados. O clima era de revolta. O choro, de alguns.

No fim do jogo, as autoridades pediram por medida de segurança que os alemães ficassem em seus assentos. Não houve maiores incidentes. Foi uma derrota para não ser esquecida, porque ela expressou em campo a própria desorganização do futebol brasileiro.

A CBF é dirigida por um entulho da ditadura militar. É uma entidade rica, milionária, de um futebol dominado por clubes majoritariamente pobres e devedores. Uma entidade que, como a FIFA, não tem qualquer transparência e é dirigida a partir de trocas de favores entre os dirigentes do Rio com cartolas regionais sem qualquer compromisso com o futebol.

É impossível dissociar o fracasso do futebol brasileiro do monopólio sobre os direitos de TV, que privilegia alguns clubes e deixa ao Deus dará a grande maioria. Isso ficará mais evidente depois da Copa, quando teremos estádios monumentais utilizados por clubes locais caindo aos pedaços.

De certa forma, a derrota brasileira também expressa uma triste realidade.

Nos Estados Unidos, os grandes clubes de beisebol, carentes de jovens dispostos a sacrificar tudo por uma carreira, passaram a sustentar o que chamavam de “farms”, para formar jogadores especialmente em Porto Rico e na República Dominicana.

Mais tarde, os dirigentes se deram conta de que o nome era altamente pejorativo. Mudou, mas o sistema continua existindo.

O futebol brasileiro, hoje, cada vez mais se resume a isso: exportador de jovens que, a cada quatro anos, se reúnem durante algumas semanas para jogar a Copa.

Finalmente, não é possível esquecer o papel sofrível que muitos torcedores desempenharam nas redes sociais ao longo desta Copa, acusando críticos de antipatriotismo, denunciando uma inexistente campanha de “não vai ter hexa” e atribuindo a Merval Pereira o futebol sofrível de uma seleção apenas razoável.

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