Valter Dionísio Alves: Saudade do futuro

Valter Dionísio Alves: Saudade do futuro

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Valter Dionísio Alves, diretor proprietário do jornal Visão Oeste, chargista e artista plástico/gráfico
Valter Dionísio Alves, diretor proprietário do jornal Visão Oeste, chargista e artista plástico/gráfico

Não teremos manhãs preguiçosas. Não ouviremos em rádios de sons metálicos e fácil manejo, músicas nostálgicas. Sim, temos nossa nostalgia. Não seria o Nelson Gonçalves dos meus avós, nem o Odair José dos meus pais. Mas tínhamos, poxa se tínhamos, esperança de um dia ouvir Legião fazendo um balanço pros netos que chegariam domingo.

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Não, não vamos passear com aquela bicicleta confortável com paralamas. Durante nossa vida foram duas: a da infância e aquela da academia. Ambas nos machucavam. Queira porque, com uma empinávamos e caíamos, ou porque, na outra suávamos até quase desmaiar.

O que não teremos também são aquelas rasgadas conversas, que quem passasse pela calçada pensaria até que estaríamos brigando. Impressão que ia embora quando nos ouvisse dando gargalhadas, e alguma tosse, lembrando das lutas passadas e dos parentes chatos que se foram.

Não. A aposentadoria. Esse direito a pendurar as chuteiras com saúde suficiente para o vinho da mãe e à cervejinha domingueira do pai, querem nos tirar. Esses dias à toa, mas que a realidade nos entregaria, nem esse, querem que tenhamos.

Ela, pensávamos, viria. Com suas cautelas e remédios, lembranças, sonecas, fotos, óculos e bingos. Viria com aquele dinheirinho contado, mas certo. Até nossos amores, com sorte, estariam ao nosso lado. Mas… não.

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Um vampiro se apossou de nossa pátria e quer que morramos trabalhando.

Mas que diabos! Vamos lutar para que, como Chico, não lamentemos um dia: “pois nunca mais cantei, óh maninha, depois que ele chegou”…”que um dia ele vai embora, maninha, pra nunca mais voltar”!

Valter Dionísio Alves, diretor proprietário do jornal Visão Oeste, chargista e artista plástico/gráfico

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