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Vereador de Osasco apresenta Moção de Inconformismo pelo incêndio no Museu Nacional

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Câmara de Osasco discute, na sessão desta terça-feira (4), Moção de Inconformismo apresentada pelo vereador Ricardo Silva (PRB) pelo incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no domingo (2).

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A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo Museu Nacional no Rio, afirmou, em nota, que o incêndio “é a maior tragédia museológica do país. Uma perda incalculável para o nosso patrimônio científico, histórico e cultural.”

Nesta segunda (3), um protesto de indignação e solidariedade após o incêndio no Museu Nacional reuniu uma multidão. Com críticas ao poder público de modo geral e ao governo federal, o ato apontou descaso com a história do Brasil, com a ciência e instituições públicas de ensino e pesquisa.

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“O que se perdeu hoje é muito representativo e é muito simbólico das perdas acumuladas para a ciência do Brasil” , disse a servidora e pesquisadora da Fiocruz Márcia Valéria Morosini. “O que perdemos é uma memória do mundo. Nós éramos guardiões de uma parte da memória da humanidade”.

Alerta

Há 14 anos, em 3 de novembro de 2004, o então secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo Wagner Victer denunciou, em entrevista à Agência Brasil, os riscos de que o Museu Nacional do Rio de Janeiro poderia vir a ser destruído por um incêndio. A conversa com a repórter Daisy Nascimento ocorreu após visita ao local.

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Na ocasião, o secretário disse ter ficado impressionado com a situação das instalações elétricas do museu, em estado deplorável, em sua avaliação: “O museu vai pegar fogo: são fiações expostas, mal conservadas, alas com infiltrações, uma situação de total irresponsabilidade para com o patrimônio histórico”, denunciou então.

Redução de verba

Mesmo assim, os valores pagos pela União para o total de despesas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, caíram mais de dez vezes de 2011 a 2018, conforme estudo da ONG Contas Abertas – feito a partir de dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do Governo Federal.

Naquele ano, foram pagos R$ 1.053.467,88, o maior valor desde 2001. Até 31 de agosto (sexta-feira passada), foram pagos R$ 98.115,34. Desse valor, R$ 17,8 mil foram gastos com “investimentos” e R$ 80,2 mil com “outras despesas correntes”.

Conforme detalhamento do Siafi, nenhum real foi gasto este ano com aquisição de “equipamento de proteção segurança e socorro”; “material de proteção e segurança”; “material elétrico e eletrônico”; “material para manutenção de bens imóveis/instalações”; ou “seguros em geral” para o museu que pegou fogo no domingo (2) à noite.

Para a museóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), Andrea Considera, o incêndio do Museu Nacional “ilustra e perpassa todas histórias de museus e instituições sociais no Brasil”. Para ela, “a questão não é a falta de recursos, dinheiro sempre existe, mas a prioridade da sociedade”.

No ano passado, o governo federal gastou R$ 643,5 mil com o Museu Nacional. O valor é quase um milhão a menos do que foi gasto pela União (R$ 1,607 milhão) com veículos – incluindo ambulâncias, carros de combate e despesas com pagamento de pedágios e IPVA.

O governo federal anunciou mobilização para recuperar o Museu Nacional, mas a museóloga Andrea Considera questiona: “Reconstruir o prédio para qual acervo? Que coleções guardaremos lá dentro?”.

Questionada sobre os recursos destinados ao Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a secretária-executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, apontou que o orçamento da universidade aumentou 15% nominalmente entre 2015 e 2017.

Prioridades

“Temos que fazer discussão tanto sobre alocação, prioridades, mas também discussão sobre possíveis espaços para que tenhamos boas parcerias com setor privado para poder fazer a guarda desse patrimônio que é tão valoroso para todos os brasileiros”, afirmou, durante Congresso de Mercado de Capitais, na capital paulista.

O “Plano 200 anos do Museu Nacional/1818-2018”, apresentado em novembro de 2016, pela direção do museu à Reitoria da Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ) previa o patrocínio de R$ 2,3 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para “instalação efetiva do Sistema de Segurança contra incêndio e pânico”.

Com Agência Brasil

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