Vereadores defendem instalação de Comissão Municipal da Verdade

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Osasquenses que lutaram contra a ditadura militar foram homenageados na Câmara de Osasco na quarta-feira, 30. Foto: Leandro Conceição

Osasquenses que lutaram contra a ditadura militar foram homenageados na Câmara de Osasco na quarta-feira, 30. Foto: Leandro Conceição
Osasquenses que lutaram contra a ditadura militar foram homenageados na Câmara de Osasco na quarta-feira, 30. Foto: Leandro Conceição

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Durante sessão solene em repúdio aos 50 anos do golpe que instituiu ditadura militar no país, realizada na Câmara de Osasco na quarta-feira, 30, a bancada do PT saiu em defesa da instalação de uma Comissão Municipal da Verdade. 

O objetivo é apurar violações dos Direitos Humanos ocorridas no município no período do regime e reforçar o trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

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Conforme antecipado há um mês pelo Visão Oeste, a proposta é articulada pelo professor de Relações Internacionais da Unifesp, Antonio Roberto Espinosa, que participou da luta armada contra a ditadura ao lado da presidente Dilma Rousseff.

“Onde foram parar os companheiros que desapareceram? Quem são os torturadores? Daqui de Osasco, dos quartéis da região, saíram vários torturadores. Temos um compromisso com aqueles que morreram, que é apurar o que aconteceu”, disse Espinosa.
“Osasco é conhecida como exemplo de luta e precisamos fazer com que seja hoje um exemplo de verdade”, completou o professor.

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A vereadora Mazé Favarão apresentou uma proposta na Câmara pela instalação da Comissão. “Lembrar para não acontecer de novo é um grande motivo da nossa rememoração”.

Valdir Roque destacou que “muitas violações dos Direitos Humanos foram cometidas aqui pelos militares e é muito importante esclarecer tudo”. Para Aluisio Pinheiro “nosso país precisa fazer um processo de revisão histórica”.

Prefeito favorável
O prefeito Jorge Lapas (PT) também já se mostrou favorável à instalação da Comissão Municipal da Verdade. “Pode ser uma iniciativa combinada com a Câmara ou do governo. O ideal seria junto com a Câmara. Tem uma história em Osasco que precisa ser esclarecida”, disse, recentemente, ao Visão Oeste.

Se instalada, a Comissão deverá entregar um relatório que se agregue às comissões estadual e nacional, cujos trabalhos vão até dezembro.

“Cidade mais simbólica das lutas operárias”

Homenageados exibem estatuetas recebidas. Foto: Leandro Conceição
Homenageados exibem estatuetas recebidas. Foto: Leandro Conceição

Sebastião Neto, do grupo de trabalho sobre repressão aos trabalhadores da Comissão Nacional da Verdade, destacou na sessão em repúdio à ditadura que “Osasco é a cidade mais simbólica das lutas operárias no estado. Foi quem levantou a cabeça [contra a ditadura] em 1968 (com a histórica greve de operários iniciada na Cobrasma)”.

No evento, realizado por propositura do vereador Valdir Roque, 17 pessoas ligadas a Osasco que participaram da luta contra o regime militar foram homenageados. “Com muitos homens e mulheres, guerreiros e guerreiras, Osasco, sem dúvida, é um dos lugares mais importantes da luta contra a repressão, a tortura, a censura, os abusos da ditadura militar”, afirmou Valdir Roque.

Além dos homenageados, foram lembrados na sessão nomes como os de Carlos Lamarca e Zequinha Barreto, assassinados pelo regime militar, e de José Ibrahim, que morreu há um ano. Ibrahim era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco na histórica greve operária de 1968.

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