Vídeo mostra homem que foi racista com motoboy vandalizando carro de vizinha

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Reprodução

Um novo vídeo que circula nas redes sociais mostra o contabilista Mateus Abreu Almeida Prado Couto vandalizando o carro de uma vizinha, atirando um objeto contra o veículo, em um condomínio Valinhos, no interior paulista. É mesmo homem filmado humilhando e agindo de forma racista contra o motoboy Matheus Pires, em caso que repercutiu em todo o país, na semana passada.

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De acordo com a família, o contabilista sofre de transtornos psiquiátricos. Vizinhos relatam que é comum vê-lo agindo de forma agressiva contra profissionais como pedreiros, porteiros e seguranças, além dos entregadores. A vizinha que teve o carro atacado por Mateus ficou com medo após o episódio, há cerca de dois anos, e se mudou do local.

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Já o motoboy agredido por ele viu sua vida mudar após o caso repercutir em todo o país. O entregador de 19 anos ganhou uma moto nova e quase 2 milhões de seguidores do Instagram. Além disso, uma vaquinha virtual foi criada para ajudar o jovem a conquistar a casa própria e investir nos estudos. O valor já soma mais de R$ 150 mil.

moto nova motoboy
Reprodução / Instagram

O motoboy diz perdoar o agressor. “Só espero que ele reflita. Se ele tiver algum problema psicológico, como estão dizendo, espero que possa melhorar, que receba ajuda. E estou à disposição se ele quiser falar comigo”, declarou Matheus, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

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“Processo de formação escravocrata do Brasil”

Para o sociólogo Marcos Agostinho, do Instituto MAS Pesquisa, de Carapicuíba, o comportamento do agressor reflete “o processo de formação escravocrata do Brasil”.

“A formação do capitalismo está alicerçada na escravidão. E hoje nós vemos que a chamada ‘uberização’, a precarização do mercado de trabalho recai ainda mais forte sobre a população jovem e negra, que não tem acesso à escolaridade e emprego formal. E o tratamento que esse ‘pseudo senhor de escravo’ teve é o mesmo que teve aquele cidadão de Alphaville que disse que em Alphaville a situação é outra, a abordagem da polícia tem que ser outra porque não é na periferia”, avalia Marcos Agostinho.

O sociólogo se refere ao caso do empresário Ivan Storel, que humilhou policiais militares que foram à mansão dele apurar uma denúncia de violência doméstica, em um episódio que foi destaque em todo o país.

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